
Muito além de apertos de mãos e protocolos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou na Índia nesta quarta-feira (18) para uma visita de Estado. Em um cenário global onde a tecnologia dita quem cresce e quem obedece, a comitiva brasileira busca em solo indiano parcerias que podem definir o rumo da economia nacional na próxima década.
A principal prioridade é a participação do Brasil na Cúpula Global de Inteligência Artificial (IA). A escolha não é por acaso. A Índia consolidou-se como um hub global de talentos e desenvolvimento de software, e o Brasil busca caminhos para uma “IA soberana”, no objetivo de reduzir a dependência total de grandes empresas do Vale do Silício.
O objetivo é claro: entender e replicar o modelo indiano de inclusão digital, segurança e governança de dados para aplicar em serviços públicos brasileiros, da saúde à educação. Segundo o presidente, “as parcerias estratégicas e a cooperação em áreas fundamentais como tecnologia, energia, agricultura e sustentabilidade”, vão ampliar o comércio no Brasil.
Os três pilares da missão em Nova Delhi
A agenda oficial, que se estende até domingo (22), está ancorada em frentes estratégicas mapeadas pelos ministérios que integram a comitiva:
- Soberania Tecnológica e Chips: A Índia é peça-chave na diversificação das cadeias de suprimentos de semicondutores. O Brasil quer atrair nvestimentos e cooperação técnica para que o parque industrial nacional não pare por falta de componentes essenciais.
- A Voz do Sul Global: Como grandes líderes de nações em desenvolvimento, Lula e o primeiro-ministro Narendra Modi buscam alinhar discursos para as próximas reuniões multilaterais. O foco é reforma de instituições internacionais e combate à desigualdade climática.
- Comércio e Energia Limpa: Acordos na área de biocombustíveis (com destaque para o etanol) e parcerias no setor farmacêutico estão na mesa. A Índia é a “farmácia do mundo”, e o Brasil quer estreitar a cooperação em genéricos e biotecnologia.
Não sendo apenas um player de tecnologia, a Índia se tornou laboratório do mundo para a IA aplicada ao desenvolvimento social. Enquanto o Vale do Silicio foca em modelos comerciais de massa, os indianos se destacam por transformar a Inteligência Artificial em uma ferramenta de infraestrutura pública. Ao priorizar a tecnologia de ponta em vez de apenas commodities, o governo brasileiro tenta garantir que o país ajude a escrever suas regras.
