
A jornada de compra de moda no Brasil deixou de caber em um único canal. Dados da pesquisa “Consumo de Moda no Brasil”, da Opinion Box, mostram que 38% dos consumidores dividem suas compras entre lojas físicas e online — um retrato claro de um varejo cada vez mais híbrido. Outros 29% ainda priorizam o ponto de venda tradicional, mas também recorrem ao digital, enquanto 23% fazem o caminho inverso, com maior foco no e-commerce. Apenas 9% compram exclusivamente em lojas físicas e 1% concentram as aquisições apenas no ambiente online.
O comportamento revela que o consumidor não escolhe mais “um lado”. Ele combina canais conforme conveniência, preço e oportunidade. Nos últimos três meses, os calçados lideraram as compras (55%), seguidos por blusas (46%), calças (40%) e roupas íntimas (36%). A frequência reforça um consumo recorrente: 29% compram a cada dois ou três meses, 24% mensalmente e 22% entre quatro e seis meses.
O ticket médio mensal também ajuda a dimensionar o setor. A maior fatia (29%) gasta entre R$ 101 e R$ 200 por mês com moda. Outros 19% investem entre R$ 201 e R$ 300, 21% entre R$ 301 e R$ 500, e 12% ultrapassam os R$ 500 mensais. Há ainda 6% que limitam os gastos a até R$ 50.
Preço e qualidade ditam as regras
Se o canal é híbrido, os critérios são objetivos. Preço lidera a decisão de compra, citado por 74% dos entrevistados, seguido por qualidade (70%) e promoções e descontos (66%). No online, 42% apontam a maior variedade como principal atrativo, 41% destacam cupons e ofertas e 37% valorizam a comodidade de comprar sem sair de casa. Já entre os que evitam o e-commerce, 47% mencionam falta de meios de pagamento e 30% reclamam do prazo de entrega.
As lojas de departamento seguem dominantes tanto no físico quanto no digital. No ambiente online, 68% afirmam comprar nessas redes; no varejo presencial, o índice chega a 78%. Lojas de bairro (44%) e outlets (30%) completam o cenário físico.
Compras internacionais
O consumo global também faz parte da equação. Quase metade dos entrevistados (46%) já comprou e continua comprando em sites internacionais. No entanto, 45% dos que recorreram ao exterior relatam ter enfrentado problemas, principalmente com tamanho ou ajuste (45%), taxação (42%) e atrasos (33%). Entre os que nunca compraram, o medo de taxas (39%) e de o produto não chegar (36%) são os principais entraves.
Ainda assim, 70% se posicionam contra a taxação de compras internacionais para uso próprio — um dado que sinaliza a sensibilidade do consumidor brasileiro ao preço final.
Força de marca e influência digital
No ranking de marcas mais conhecidas, a Renner lidera com 79% de reconhecimento, seguida por Riachuelo e C&A, ambas com 78%. Hering aparece com 71%, enquanto Shein e Zara registram 70%. Entre os calçados, Havaianas se destaca com 84% de reconhecimento.
A influência digital é determinante: 56% seguem perfis de marcas nas redes sociais e 49% acompanham influenciadores de moda. O Instagram é a principal vitrine, citado por 87% dos entrevistados.
Inclusão e sustentabilidade
Apesar do dinamismo do setor, 56% acreditam que a moda ainda não é acessível para todos os tipos de corpos e 42% dizem ter dificuldade para encontrar o próprio tamanho com frequência. Ao mesmo tempo, a sustentabilidade ganha espaço: 44% consideram o tema importante e 30% muito importante; 41% preferem marcas com práticas sustentáveis e 35% afirmam que pagariam mais por isso.
O retrato é claro: o consumidor brasileiro quer preço, qualidade e conveniência, mas também cobra propósito e inclusão. Em um cenário de múltiplas vitrines, físicas e digitais, vence quem consegue integrar canais, dialogar com valores contemporâneos e transformar dados em experiência.
