
Greve geral na Argentina contra reforma trabalhista
Quatro voos voos da rota Natal e Buenos Aires foram cancelados nesta quinta-feira (19) por causa de uma greve geral que ocorre na Argentina contra a reforma trabalhista no país.
Dos voos, dois eram de chegada a Natal e outros dois de partida em direção ao Aeroporto de Ezeiza, na capital argentina. As viagens seriam operadas pelas companhias Gol e JetSmart.
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Em nota, a concessionária que administra o Aeroporto de Natal, Zurich Airport Brasil, confirmou o cancelamento dos voos e orientou os passageiros a procurem os canais oficiais das companhias aéreas para obterem informações e a remarcação de seus voos.
A concessionária ainda sugeriu que os passageiros dos voos cancelados evitem a ida até o aeroporto.
Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal
Alex Régis/Zurich Airport
O g1 procurou as companhias aéreas, mas não recebeu posicionamento das empresas sobre a situação até a última atualização desta reportagem.
Greve geral
A Câmara dos Deputados da Argentina começa a discutir nesta quinta-feira (19) o projeto de reforma trabalhista enviado pelo governo de Javier Milei ao Congresso.
O Senado já aprovou o texto na semana passada, e a maior central sindical da Argentina, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), afirmou que uma greve geral para o início das discussões do projeto entre os deputados teve início às 00h nesta quinta (19), segundo a agência Associated Press.
A expectativa do governo é que a proposta seja votada no plenário da Câmara em 25 de fevereiro e aprovada até 1º de março, quando Milei abrirá o período de sessões ordinárias do Legislativo.
Polícia faz bloqueio em via de Buenos Aires durante greve geral na Argentina contra as medidas de Milei
REUTERS/Agustin Marcarian
Além da greve geral, também é esperada uma onda de protestos, embora eles não sejam oficialmente chancelados pela CTG.
Em resposta, o governo Milei determinou que a imprensa siga “medidas de segurança”, o que é uma atitude incomum, e advertiu para situações de “risco” nos protestos esperados para os próximos dias.
Na quarta-feira passada, milhares de pessoas protestaram nas imediações do Congresso quando o projeto foi debatido no Senado. As manifestações terminaram em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos.
Reforma trabalhista
O texto ainda pode sofrer alterações na Câmara, mas já é considerado uma das maiores mudanças na legislação trabalhista argentina em décadas, ao revisar regras que, em sua maioria, remontam aos anos 1970.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a reforma é ampla, reúne dezenas de artigos e faz parte de um pacote maior de mudanças estruturais voltadas à estabilização macroeconômica e ao estímulo ao emprego e ao investimento na Argentina.
Para garantir apoio político e acelerar a tramitação, o governo negociou cerca de 30 alterações no texto original. Entre as mudanças de última hora, Milei retirou o artigo que permitiria o pagamento de salários por meio de moeda estrangeira ou carteiras digitais, como as do Mercado Pago.
O projeto flexibiliza contratos de trabalho, modifica regras de férias e jornada, facilita demissões e impõe limites em greves, com o objetivo de reduzir custos trabalhistas e estimular a formalização do emprego em um mercado onde cerca de 40% dos trabalhadores estão na informalidade.
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