EPR aposta alto em nova diretoria para crescer 30%

Marcela Norcia, diretora de novos negócios e parcerias da EPR Comunicação Foto: Divulgação

Crescer 12% em um mercado que avança, em média, 5% não é apenas um bom número. É um recado. Ao anunciar a chegada de Marcela Norcia para a recém-estruturada diretoria de novos negócios e parcerias, a EPR Comunicação deixa claro que não pretende administrar crescimento — pretende acelerá-lo.

O movimento vem na esteira de um 2025 acima da média do setor, segundo dados da Abracom, e de uma meta ousada: expandir cerca de 30% em 2026. Não se trata apenas de trocar a placa na porta. A criação (ou fortalecimento) de uma diretoria dedicada a negócios é um sinal inequívoco de maturidade e de ambição.

Marcela traz três décadas de estrada em marketing, comunicação e desenvolvimento de negócios, com passagens por varejo, shopping centers, energia e finanças, além da experiência mais recente na The Factory, na qual liderou business solutions e client success. É um perfil que combina repertório estratégico com vivência prática na geração de receita. Em um mercado que ainda flerta com a romantização da criatividade desconectada de resultado, isso pesa.

Mas o ponto mais interessante dessa movimentação está na narrativa estratégica da própria EPR. A agência aposta no chamado Inbound PR, uma metodologia proprietária que propõe ir além da “visibilidade pela visibilidade”. A promessa é entregar relevância digital orgânica, melhor posicionamento em buscas e inteligência artificial e aumento de tráfego qualificado. Em outras palavras: reputação que performa.

Cenário de reestruturação

Não é pouca coisa. O mercado de relações públicas vive uma transição silenciosa — e inevitável. A lógica da pauta publicada já não sustenta, sozinha, o valor percebido pelo cliente. Comunicação agora precisa dialogar com dados, SEO, performance e arquitetura de conteúdo. A fronteira entre PR, marketing digital e estratégia de negócios ficou definitivamente borrada.

Ao colocar uma executiva de novos negócios se reportando diretamente à CEO, Ana Tarragó, e à presidente do conselho, Edna De Divitiis, a EPR também sinaliza algo relevante: crescimento comercial não pode ser uma ilha. Precisa estar alinhado à operação, à entrega e, sobretudo, à estratégia de posicionamento da marca. É aí que muitas agências tropeçam ao vender uma coisa e entregar outra.

O discurso de portfólio full service — que integra mídia, conteúdo, digital, relações institucionais, gestão de crise e estratégia de LinkedIn — responde a uma demanda real do mercado. Empresas querem menos fornecedores e mais parceiros estratégicos. Querem consistência. Querem visão integrada.

A aposta da EPR parece clara: ocupar o espaço entre a assessoria tradicional e a consultoria estratégica de alto nível, ao usar tecnologia, metodologia própria e visão de negócio como diferenciais competitivos. A contratação de Marcela reforça essa tese — alguém com escuta estratégica, experiência em relacionamento de longo prazo e foco em geração de valor.

Agora, o desafio é transformar promessa em escala. Crescer 30% exige não apenas novas contas, mas estrutura, cultura e capacidade de execução compatíveis. Crescimento acelerado pode ser combustível.

No fim das contas, a pergunta que fica não é se a EPR conseguirá vender mais. É se conseguirá sustentar, na prática, o discurso de relevância e influência integrada que propaga. Se conseguir, não estará apenas com a ampliação de receita. Vai ajudar a redefinir o que significa fazer relações públicas em 2026.

E isso, convenhamos, é bem mais interessante do que qualquer percentual isolado.

 

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