
Delegacias da Mulher prendem 22 pessoas em flagrante por violência de gênero e importunação durante o carnaval em SP
Ao menos 22 pessoas foram presas em flagrante por violência de gênero ou importunação entre sábado e terça-feira de carnaval na capital paulista, segundo balanço das Delegacias de Defesa da Mulher. No total, 285 boletins de ocorrência foram registrados ao longo dos quatro dias de folia.
De acordo com a Polícia Civil, 285 mulheres procuraram ajuda após relatarem casos de assédio, importunação sexual, lesão corporal e ameaça. A maior parte das ocorrências aconteceu em blocos de rua, onde equipes da polícia — com policiais civis mulheres — atuaram de forma preventiva e flagraram suspeitos cometendo crimes. Parte dos detidos foi presa no próprio local.
Além do policiamento, tendas de acolhimento foram montadas em pontos de grande concentração de foliões para orientar e atender vítimas. Em vários casos, as mulheres buscaram apoio nessas estruturas, o que possibilitou o registro imediato das ocorrências e a prisão dos responsáveis.
A coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher em São Paulo, Cristiane Camargo Braga, reforçou a importância da denúncia para combater a subnotificação e interromper ciclos de violência.
Foliões se reúnem no Bloco Feminista durante carnaval de rua no centro da cidade de São Paulo.
ALLISON SALES/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
“De fato, o número de registros policiais envolvendo violência doméstica é alto e expressivo, mas é importante que as mulheres procurem as delegacias e registrem as ocorrências. Só assim poderemos combater a subnotificação e dar a prestação devida. É importante denunciar já na primeira agressão, para coibir novas condutas agressivas, que tendem a se agravar em relações abusivas”, afirmou.
Embora o carnaval oficial tenha terminado, o próximo fim de semana ainda terá blocos pela cidade. A polícia informou que haverá reforço no efetivo para prevenir novos casos e orientar vítimas durante as festas.
Prisão de agressores
Uma ação policial coordenada pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo prendeu, até esta quarta-feira (11), 150 agressores de mulheres condenados em diferentes municípios paulistas.
A mobilização faz parte da Operação M – Carnaval Seguro, iniciada na segunda-feira (9) para cumprimento de mais de mil mandados de prisão em todo o estado.
“São agressores condenados que buscamos colocar atrás das grades para garantir à mulher o direito de viver livre e com segurança”, afirmou a coordenadora das DDMs, delegada Cristiane Braga, em comunicado à imprensa.
Policiais civis se reunem para operação voltada à prisão de agressores de mulheres
Divulgação/SSP-SP
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, quatro armas de fogo irregulares foram aprendidas durante a ação.
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Em divulgação à imprensa, o titular da pasta, Osvaldo Nico Gonçalves, destacou que “as forças policiais estão mobilizadas para cumprir decisões da Justiça, retirar agressores das ruas e interromper ciclos de violência”.
Suporte jurídico para vítimas de assédio
A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) ampliou, para o Carnaval 2026, a atuação do projeto OAB Por Elas, que oferece acolhimento humanizado e suporte jurídico gratuito para mulheres vítimas de assédio, importunação e agressões sexuais durante a folia. A iniciativa terá atendimento presencial na capital e plantão online em todo o estado até 17 de fevereiro.
A ação, liderada pela Comissão Mulheres Advogadas, contará com a atuação de 368 advogadas voluntárias capacitadas para oferecer escuta especializada e encaminhamentos para a rede de proteção.
Neste ano, além do atendimento remoto e presencial, a OAB SP também levará ações de apoio e divulgação para blocos de rua e para o Sambódromo do Anhembi, considerados os principais polos da festa na capital.
