
A população gaúcha, tão acostumada a ver o Lago Guaíba cheio, tem se surpreendido, cada vez mais, com a aparência mais preocupante do local. Com o nível reduzido a 32 centímetros, moradores se “aventuram” a andar sobre os bancos de areia que surgem no local. Eles são fruto do acúmulo de material subterrâneo que, com a água, ficam invisíveis a olho nu.
A estiagem, somada ao acúmulo de sedimentos deslocados pelas enchentes, fez o nível do lago despencar, abrindo espaço para formações que se multiplicam entre a região Central de Porto Alegre e a Zona Sul. Nem os volumes de chuva que caíram na capital e no estado, especialmente durante o recesso de Carnaval, foram capazes de ajudar a reparar a perda de água.
Lucas Oliveira, professor de geografia e estudante de Meteorologia, tem uma explicação para o baixo volume de água do Guaíba. Em contato com a reportagem do iG afirmou que a chuva que cai em Porto Alegre e adjacências, muitas vezes, não traz um impacto decisivo para o aumento do volume do rio.
“O Guaíba recebe água de vários rios no Rio Grande do Sul. Às vezes pode estar chovendo na cidade mas, se nas nascentes que abastecem o lago não estiver chovendo, o nível não vai subir. Nessa época do ano, normalmente, não chove tanto por lá”, afirma.
Vegetações rasteiras ficam aparentes
Com a falta de água, é possível verificar também a presença de algumas vegetações rasteiras. A expectativa é que uma grande quantidade de chuvas possa fazer o nível do Guaíba subir novamente.
Por volta das 14h30 desta sexta-feira (20), o nível do Guaíba estava em 0,41 metros, de acordo com o site nivelguaiba.com.br. Por hora, o volume do rio está em tendência de subida de 2,5 centímetros.
A Capitania Fluvial de Porto Alegre, uma organização militar da Marinha do Brasil que atua como a autoridade marítima nas águas interiores da região de Porto Alegre e parte significativa do estado do Rio Grande do Sul, foi procurada pela reportagem sobre a baixa do Guaíba e não se manifestou. O espaço segue aberto.
