
Professora Márcia Cristina Bernardes Barbosa
Divulgação/ Julian Dufort
A aparição da física e reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Cristina Bernardes Barbosa, em uma lista da Forbes dedicada a mulheres que transformam a ciência, destaca a trajetória de quem tem dedicado a carreira não só à pesquisa, mas também à luta por mais espaço e reconhecimento feminino no mundo.
“Nós temos mulheres fazendo ciência com qualidade no Brasil e essas mulheres podiam ser qualquer uma de nós”, ressalta Márcia.
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A homenagem foi divulgada no Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, comemorado na última semana, em 11 de fevereiro.
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A física é uma das principais referências do país no estudo das anomalias da água e já foi laureada internacionalmente, incluindo o prêmio L’Oréal-UNESCO Para Mulheres na Ciência, em 2013. Em 2020, também apareceu em outra lista da Forbes, como uma das 20 mulheres mais poderosas do Brasil.
Contudo, mesmo em posições de destaque, Márcia conta que o machismo permanece como barreira.
“Ainda sofro de misoginia no cotidiano”, revela.
Para ela, o incômodo aumenta quando mulheres em cargos de liderança defendem mudanças estruturais, como a ampliação da diversidade e a inclusão de grupos historicamente excluídos.
“Quando ela começa a reverter a ordem, isso é desconfortável”, comenta.
Segundo ela, a visibilidade do reconhecimento da Forbes ajuda a romper imagens equivocadas que ainda persistem sobre quem faz ciência.
“Ainda enfrentamos por parte da população uma série de estereótipos no seu imaginário de como é que é uma cientista”, afirma.
Ao relatar o caso de uma estudante que pediu a colegas para desenharem “uma pessoa que faz ciência”, a reitora contou que o resultado foi quase unânime: um homem branco, de cabelo arrepiado. Para ela, esse imaginário afasta meninas da área.
Mil tarefas e múltiplos papéis
Márcia explica que a rotina de cientistas é bem distante da imagem glamurizada de filmes e desenhos. Segundo ela, quem trabalha com pesquisa acumula funções, como dar aula, orientar estudantes, administrar laboratórios, buscar financiamento, publicar artigos e viajar para conferências.
“É uma vida com uma série de compromissos, é absolutamente multitarefa”, resume.
No caso dela, a lista de responsabilidades vai além da pesquisa. A reitora também atua em gestão universitária há anos e se dedica ao debate sobre igualdade de gênero na ciência. É uma militância baseada em dados.
Essa atuação integrada ajuda a explicar por que costuma aparecer em rankings e homenagens.
“Sou uma cientista que estuda e milita pela questão de mulheres na ciência. Eu tenho esse lado de buscar dados e informações para ampliar a participação de mulheres na ciência. É uma coisa mais disruptiva”, comenta.
Para a cientista, manter e expandir iniciativas de diversidade é indispensável para inovação e desenvolvimento.
“Toda essa discussão, embora tenhamos avanços, ela é urgente e ela precisa acontecer. E quando dão visibilidade para as mulheres, permite-se que essa discussão aconteça, que essas mulheres tenham voz, que elas estejam presentes na mídia. E, principalmente, que as gurias vejam as ‘mulheres com cara da tia delas’ sendo premiadas ou referenciadas, e isso é muito legal”, ressalta.
O que representa para a UFRGS
Para a instituição que dirige, Márcia vê sua aparição na Forbes como reflexo do trabalho coletivo de pesquisadoras da universidade.
“Significa o reconhecimento que a nossa universidade tem uma pesquisa realizada por mulheres potentes”, resume.
Por meio das redes sociais, o Gabinete da Reitoria da UFRGS comemorou a conquista: “Parabéns, reitora, por representar a UFRGS e o Brasil com tanta força e brilho no cenário científico global!”.
A reitora diz que quer seguir usando a visibilidade para que meninas e jovens mulheres se enxerguem na ciência, com uma vida que não precisa abrir mão de quem são.
“Quando tu mostra que cientista pode ser qualquer coisa, isso começa a desconstruir os estereótipos, que é um ponto muito importante. Há uma carga social de te colocar em uma região de estereótipo. Quando tu mostra a mulher que tem uma cara comum, que diz que você é só ‘vizinha de porta’, acho que dá um alívio pra essas meninas de estarem nesse lugar”, diz.
Confira a lista das cientistas brasileiras citadas pela Forbes:
Márcia Cristina Bernardes Barbosa;
Sue Ann Clemens;
Margareth Dalcolmo;
Ester Sabino e Jaqueline Goes;
Sônia Guimarães;
Fabiana Corsi Zuelli;
Neuza Frazatti;
Duda Franklin;
Alicia Kowaltowski.
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