Projeção aponta que PIB brasileiro em 2026 deve subir 0,3 p.p. com isenção do IR

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), em vigor desde janeiro de 2026, deve gerar efeitos relevantes sobre a atividade econômica brasileira já ao longo deste ano. Estudo do Banco Daycoval projeta que a medida pode acrescentar cerca de 0,3 ponto percentual ao PIB de 2026, com impacto concentrado principalmente no consumo das famílias e nos setores de serviços.

A nova regra zera o imposto devido para rendas mensais de até R$ 5.000 e estabelece uma faixa de transição até R$ 7.350. Segundo a instituição, cerca de 17 milhões de contribuintes serão beneficiados, sendo 11 milhões totalmente isentos e 6 milhões parcialmente beneficiados, com uma renúncia fiscal estimada em aproximadamente R$ 30 bilhões ao ano.

O ganho mensal máximo ocorre justamente no teto da isenção: um contribuinte com renda bruta de R$ 5 mil deixa de pagar R$ 312,89 por mês, cerca de R$ 3,75 mil ao ano.

Consumo das famílias será o motor

De acordo com o levantamento, o principal canal de transmissão da medida para a economia será o aumento da renda disponível das famílias de renda média, grupo com maior propensão ao consumo.

Antes da mudança, contribuintes com renda próxima a dois salários mínimos já eram isentos. A nova faixa passa a atingir principalmente famílias entre 2 e 5 salários mínimos, cujo orçamento é concentrado em gastos cotidianos, como moradia, transporte e alimentação.

Pela ótica da demanda agregada, o impacto ocorre majoritariamente via consumo, com efeitos menores sobre investimento e deterioração das exportações líquidas devido ao aumento das importações.

PIB cresce, mas serviços lideram

Pelo lado da oferta, a expansão econômica deverá se concentrar no setor terciário. O banco estima que a maior contribuição ao PIB virá de comércio, transportes e serviços às famílias e empresas, enquanto a indústria reagirá apenas posteriormente, via efeitos indiretos.

Já a agropecuária tende a apresentar contribuição marginal.

O estudo aponta que os efeitos nos serviços podem aparecer já no primeiro trimestre de 2026.

Implicações fiscais e monetárias

A contrapartida da isenção é a criação de uma alíquota mínima para contribuintes de alta renda — acima de R$ 600 mil anuais, podendo chegar a 10% para rendimentos superiores a R$ 1,2 milhão. Entretanto, o impacto sobre consumo desse grupo tende a ser limitado, já que famílias de renda mais elevada apresentam menor propensão marginal a consumir.

Como o choque ocorre principalmente via demanda, o Daycoval avalia que a medida pode gerar pressões inflacionárias no curto prazo. Isso acontece em um momento em que o Banco Central ainda monitora a desaceleração da atividade sob juros restritivos.

Assim, a política fiscal passa a atuar na direção oposta à monetária, reforçando um cenário de cautela para o ciclo de juros. A instituição mantém a expectativa de início dos cortes da Selic em março, mas com risco de adiamento caso os efeitos inflacionários se confirmem.

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