Israel em compasso de espera

Donald Trump: muitos elogios, poucas respostas.Divulgação/Casa Branca

Em Israel, vive-se um compasso de espera — ainda que alterne ritmos variados. Ele acelera sempre que os Estados Unidos anunciam o deslocamento de novos aparatos militares para o Oriente Médio. Desacelera quando Donald Trump volta a proferir uma de suas frases enigmáticas sobre o avanço de um possível acordo: generosas em elogios, vazias em substância.

Para os israelenses, há apenas a certeza de que haverá um novo conflito com o Irã, e que Israel é um alvo central do regime islâmico. Há semanas, os telejornais dedicam quase metade de sua programação ao tema. Alguns âncoras já demonstram impaciência. A sensação no país é a mesma retratada por Bill Murray em Dia de Marmota: os dias se repetem, idênticos, enquanto o desfecho nunca chega. Sabe-se que um confronto de grande porte se aproxima; as perguntas giram em torno do quando, como e quem apertará o primeiro gatilho.

Quem?

Pessoalmente, torço para que Israel seja o autor do primeiro ataque. A razão é simples: é preferível imaginar um cenário em que a guerra se inicie após o Irã ter perdido ao menos a maior parte dos lançadores de seus mísseis balísticos. Não há pecado em torcer.

Na semana passada, após Trump indicar frustração com o ritmo das negociações, o Exército israelense colocou milhares de reservistas em prontidão. A população reagiu de forma perceptível. O trânsito está mais ameno, as cidades mais contidas. Muitos — embora não todos — evitam fazer planos que dependam do aeroporto. A memória recente de cancelamentos em massa ainda é traumática.

Quando?

Há quem deseje que a guerra contra o Irã seja deflagrada o quanto antes. Do ponto de vista israelense, ela é vista como inevitável. O regime dos aiatolás classifica Israel como o Pequeno Satã, destinado, em última instância, à destruição. O programa balístico iraniano representa uma ameaça direta ao país; o programa nuclear, uma ameaça ao mundo ocidental como um todo.

Ainda assim, existe uma parcela da sociedade israelense que aposta em acordos capazes de garantir temporariamente o silêncio — mesmo que tenso — na região. O motivo é óbvio: evitar reviver tão cedo as cenas da Guerra dos 12 Dias entre Israel e o Irã, quando Tel Aviv, o hospital Soroka e o Instituto Weizmann, entre outros alvos, pagaram o preço da queda inevitável de alguns mísseis balísticos iranianos.

Míssil iraniano atingiu a região central de Israel, em junho de 2025Reprodução/The Times of Israel

Para o regime iraniano, porém, a prioridade é outra: ganhar tempo. Trump tem menos de três anos restantes na Casa Branca. O aiatolá aposta que Alá será generoso o suficiente para conduzir ao poder um sucessor mais próximo da linhagem política de Barack Obama — sob a qual o Irã poderá novamente avançar seu programa nuclear.

A pressa é um conceito estranho ao fundamentalismo islâmico. No Islã, a paciência é vista como virtude central do praticante honrado. Se esta geração falhar em destruir o Ocidente, não há problema: sempre haverá uma próxima.

Como?

No ambiente saturado de desinformação em que sobrevivem os mortais, há quem acredite que Trump considere iniciar o confronto com um ataque limitado. Em Israel, essa hipótese é recebida com desconfiança, já que sente na pele o fato de o fundamentalismo islâmico não compreender a linguagem da persuasão.

As possibilidades se reduzem a duas. Ou Trump enxerga algo que Israel não vê, ou ele permanece fiel demais à sua identidade de negociador — incapaz de aceitar que exista, sobre a face da Terra, alguém que não possa ser convencido por meio de uma negociação.

O regime iraniano observa o tempo sob outra lógica. As reuniões infrutíferas não são um fracasso: são parte da estratégia. Servem apenas para permitir que os dias passem. Enquanto americanos e israelenses contam as horas que antecedem o ataque, o aiatolá sem pressa como transformar em ação o velho lema: “morte a Israel, morte à América”. Não há urgência.

O futuro

Vale sonhar com a promessa de um futuro sem a sombra de ameaça do Irã fundamentalista, que se faz ostensivamente presente desde a década de 1980. Um mundo em que os aiatolás não financiem braços terroristas pelo mundo e que não executem a sangue frio sua jovem população, a qual busca viver longe da opressão.

Há de ser lindo, mesmo que provisório, já que sempre haverá, no pano de fundo, uma guerra bíblica ocorrendo entre as forças do bem e as forças do mal: quando cair o Irã, provavelmente a Turquia tomará o seu lugar. Tomara que não.

 

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