
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO), anunciou a antecipação de um ano de repasses obrigatórios às prefeituras de Juiz de Fora (MG) e Ubá (MG) após os temporais que atingiram a Zona da Mata e deixaram 24 mortos e 47 desaparecidos.
Segundo o vice-governador Mateus Simões (PSD), serão liberados mais de R$ 8 milhões para cada município, para garantir recursos imediatos para enfrentamento dos danos e apoio às famílias afetadas.
Segundo o governo, todas as prefeituras mineiras têm valores a receber do Estado, e a decisão foi adiantar essas verbas diante da situação emergencial. A medida busca dar fôlego financeiro aos municípios enquanto as ações de socorro e assistência continuam na região.
As fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora (MG), Ubá (MG) e Matias Barbosa (MG) , na Zona da Mata mineira, provocaram deslizamentos, alagamentos e desabamentos na noite de ontem, deixando 24 mortos, 18 em Juiz de Fora (MG) e seis em Ubá (MG), e 47 pessoas desaparecidas, segundo balanço divulgado pelo governo de Minas Gerais nesta tarde, durante coletiva de imprensa.
Ao todo, 200 pessoas estão desabrigadas e 400 desalojadas em Juiz de Fora (MG); em Ubá (MG), são 14 desabrigados e 46 desalojados, segundo o chefe do gabinete militar do governador e coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende. Ele ainda informou que estes números ainda estão oscilando muito com atualizações constantes.
O volume de chuva registrado em poucas horas foi equivalente a quase um mês inteiro, o que levou ao deslizamento de encostas e à queda de 74 residências somente em Juiz de Fora (MG).
De acordo com o vice-governador do estado, o alerta de emergência climática foi enviado às 21h50 para todos os celulares da cidade. “Esse alerta não pode ser levado como um aviso, um SMS, uma previsão de tempo. Ele demanda ação imediata”, afirmou. Um segundo aviso foi disparado nesta tarde.
O pedido é para que moradores de áreas de encosta deixem suas casas. “As pessoas que estão em áreas de encosta precisam sair imediatamente das suas casas”, declarou Simões.
No bairro JK, em Juiz de Fora (MG), considerado o ponto mais crítico, cinco pessoas foram encontradas sem vida e dez foram resgatadas com vida. Ainda há 16 desaparecidos sob os escombros de 12 casas que desabaram.
Buscas por pessoas
Segundo o governo estadual, cerca de 500 agentes atuam na região, entre equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, este último com quase 100 militares empenhados diretamente nas buscas.
Até o momento, 98 pessoas foram resgatadas com vida, e mais de 130 ocorrências foram atendidas.
Equipes especializadas, inclusive com cães farejadores, foram deslocadas de cidades próximas. Também estão de prontidão reforços do Triângulo Mineiro e do Sul de Minas, regiões onde não há previsão de chuvas intensas nesta semana.
“As pessoas permanecerão aqui o tempo que for necessário”, informou o comandante regional do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) em Juiz de Fora, coronel Joselito Oliveira.
A Polícia Civil enviou médicos-legistas para reforçar o trabalho de identificação das vítimas. Apenas dois corpos ainda não foram identificados, segundo as autoridades.
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Milhares de residências estão sem energia
O fornecimento de energia foi interrompido para 22 mil consumidores. Desse total, cerca de 4 mil ainda permanecem sem luz. Em áreas onde há operação de resgate, a rede elétrica foi desligada por segurança. Geradores foram enviados para apoiar os trabalhos.
Em Ubá (MG), o acesso à cidade está comprometido e o trânsito interno e externo é considerado crítico. Uma quarta ponte foi perdida nas últimas horas. Máquinas como retroescavadeiras e pás carregadeiras serão enviadas para o município e empresas responsáveis pela manutenção rodoviária estadual também foram acionadas.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) mobilizou profissionais para avaliar o risco geológico das encostas, diante da previsão de continuidade das chuvas ao longo da semana.
Ajuda humanitária
Duas carretas com kits de higiene e limpeza chegaram à região às 18h para atendimento às famílias atingidas.
No momento, a prioridade é a arrecadação financeira por meio da campanha oficial SOS Águas. “Não existe campanha de arrecadação de recursos do governo do estado fora da campanha do SOS Águas”, alertou Simões, ao mencionar tentativas de golpe com uso de Pix em redes sociais.
Doações de mantimentos e roupas podem ser feitas em outras cidades, como Belo Horizonte, mas em Juiz de Fora (MG) a orientação é evitar deslocamentos para não prejudicar as operações de resgate.
Reconstrução
O vice-governador informou que o trabalho com as prefeituras é feito de forma integrada desde a madrugada. Segundo ele, foi discutida a publicação de decreto de calamidade pública para facilitar o acesso a recursos.
O secretário nacional de Defesa Civil entrou em contato com o governo estadual e se colocou à disposição para apoiar as ações. De acordo com as autoridades, a reconstrução da infraestrutura deverá ser tratada em uma segunda etapa, após a conclusão dos trabalhos emergenciais.
Enquanto isso, a orientação das autoridades é para que moradores evitem sair de casa sem necessidade, não se aproximem de áreas alagadas e mantenham crianças longe de locais com água acumulada, devido ao risco de doenças.
