
O ministro Alexandre de Moraes, relator do Caso Marielle no Supremo Tribunal Federal (STF), votou reconhecendo como mandantes os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, com colaboração do delegado Rivaldo Barbosa e demais réus pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes e tentativa de homicídio de Fernanda Chaves. Em um voto contundente, Moraes classificou o crime como uma execução política motivada por “preconceitos estruturais” e como clara ação em silenciar e “tirar do caminho”, uma “mulher preta, pobre, que estava peitando os interesses de milicianos”.
Moraes afirmou que fica claro mediante as provas que Marielle era o “principal obstáculo naquele momento aos interesses da organização criminosa” e que isso fez com que o obstáculo fosse “eliminado” e aponta essa como a efetiva motivação da morte da vereadora. E confirmou também que ela seria um plano B desta organização criminosa, já que o primeiro alvo era o ex-deputado Marcelo Freixo.
Durante a leitura, Moraes descartou as teses de defesa que classificavam a delação de Ronnie Lessa como prova isolada e afirmou que toda declaração feita pelo ex-policial foi devidamente comprovada em juízo. O ministro destacou que o depoimento do executor foi corroborado por uma “montanha de evidências digitais”, incluindo o cruzamento de antenas de celular (ERBs) e registros de deslocamento que colocam os envolvidos em reuniões de planejamento.
Sob forte emoção, a família de Marielle e Anderson Gomes – que estão presentes no julgamento -, recebeu toda a exposição do relatório feita por Moraes e comemorou com contenção, já que no Tribunal não pode realizar quaisquer manifestações.
*Reportagem em atualização
