
A Polícia Civil da cidade de Campinas, interior de São Paulo, concluiu, após cinco anos, o caso da morte a tiros do empresário Ricardo Luiz Nolasco Lopes, de 56 anos, que era tido como um suposto latrocínio, mas na verdade, foi um homicídio premeditado com a participação da filha da vítima.
Após apuração detalhada que revisou inconsistências no inquérito, como múltiplos disparos, levou a polícia a descobrir que o motivo do crime teria sido passional: Ricardo não aceitava o relacionamento da filha, Giovana Erbolato Lopes, com o namorado, Ernandes dos Santos Lopes.
Foi confirmado que a filha teria levado o pai até o local do crime, com o pretexto de visitar uma casa em construção. Na época, a jovem relatou que os criminosos teriam levado R$ 300 e uma carteira.
Confissão e defesa
A Polícia Civil afirma que tanto a filha quanto o namorado, com quem ela se relacionava na época, confessaram a participação no crime, mas o advogado de Giovana nega a confissão.
Em dezembro, a Vara do Júri decretou a prisão temporária da dupla, que depois foi convertida em preventiva.
Giovana e Ernandes foram indiciados por homicídio qualificado e, segundo a polícia, permanecem presos.
Sobre o caso
O crime aconteceu em 25 de janeiro de 2020. Na época, Ricardo tinha 56 anos, estava dentro de um carro em que a filha dirigia quando foi atingido por pelo menos nove disparos.
O empresário morreu na hora e a filha pediu ajuda na portaria do condomínio.
O caso havia sido registado como latrocínio, já que a filha alegava ter sido vítima de assalto e falava sobre uma quantia subtraída.
Investigação
Na revisão do inquérito pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) foram registradas algumas inconsistências, como o número de disparos e o uso de mais de uma arma, conduta incomum em casos de latrocínio.
Em primeiro momento, as apurações foram concentradas no companheiro de Giovana, que foi ouvido logo após o crime, mas nunca mais compareceu à delegacia.
O suspeito confessou a autoria do crime e deu detalhes que somente poderia saber se estivesse na cena do crime, como quantidade de disparos efetuados e calibre das armas usadas, além de afirmar que a filha da vítima também havia participado do crime.
Com as confissões, policiais buscaram registros próximos ao local e encontraram imagens que comprovam a circulação do carro de Giovana na região, horas antes do assassinato.
Defesa da filha
Em nota enviada ao g1, o advogado de Giovana, José Pedro Said Júnior, classificou o caso como injustiça e negou a participação da sua cliente no crime.
“Injustiça eu digo porque está mais do que demonstrado que o ex-namorado, com várias e várias mensagens no telefone celular, do qual dizia a ela a todo instante que se ela não voltasse com ele, ele iria destruir a vida dela, como fez. Mas jamais essa moça participou de forma alguma da morte do pai. Essa moça está sendo injustiçada, está sendo de uma maneira absurda, penalizada e revivendo todo um sofrimento, não só dela, mas de toda a família que acredita e tem a certeza absoluta que ela é inocente”, finalizou.
