
A chuva extrema que matou quase cinco dezenas de pessoas em Ubá e Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, não foi provocada por uma supercélula de tempestade. A avaliação é da MetSul Meteorologia, que contesta a versão divulgada por parte da imprensa desde a tragédia e aponta convecção localizada como causa do volume concentrado em poucas horas.
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Segundo a MetSul, o episódio registrado entre a noite de segunda (23) e a madrugada de terça (24) teve acumulados extremos em curto intervalo, padrão recorrente no Sudeste nesta época do ano. A empresa afirma que não houve características típicas de supercélulas, como “corrente ascendente profunda” e persistente em rotação (mesociclone) nem deslocamento rápido do sistema.
Em nota técnica, a MetSul declarou: “Não foi uma supercélula o fenômeno responsável pelo episódio de chuva extrema localizada registrado no final da segunda-feira (23) e no começo da terça (24) na Zona da Mata mineira”.
A empresa sustenta que supercélulas estão associadas principalmente a vento severo, granizo e tornados, e não ao grande volume acumulado de precipitação sobre uma mesma área por várias horas.
A divergência técnica tem impacto na interpretação do desastre. Supercélulas costumam se deslocar entre 40 km/h e 80 km/h, o que tende a limitar o volume total de chuva em um único ponto.
Já eventos convectivos localizados podem despejar grande quantidade de água sobre áreas restritas, o que eleva rapidamente o nível de rios e córregos e aumenta o risco de alagamentos e deslizamentos.
Impacto no planejamento e nos alertas
Para a MetSul, episódios de chuva intensa e concentrada são comuns no verão do Sudeste, quando o aquecimento do solo favorece a convecção, o processo em que o ar quente sobe, esfria e forma nuvens carregadas.
Esse mecanismo pode gerar acumulados elevados mesmo sem tempestades organizadas de grande escala.
A classificação do fenômeno influencia a forma como o episódio é comunicado à população e pode afetar estratégias de prevenção e monitoramento.
Autoridades seguem contabilizando os danos nas cidades atingidas porque elas seguem em situação de risco para as chuvas.
