
Após um ano da morte de Vitória Regina de Souza, de 17 anos, o caso ganhou novas repercussões após o perito Renato Domingos Patolli alegar que, na época, sofreu pressões internas para manipular laudos que levaram à prisão de Maicon Sales dos Santos.
Vitória foi morta após deixar o trabalho, em Cajamar, na Grande São Paulo. O caso ganhou grande repercussão na época devido à maneira como ela foi assassinada, marcada por indícios de crueldade.
Renato Domingos afirmou ter sofrido ameaças e ter sido afastado das funções após relatar que teria sido pressionado a incluir informações indevidas em laudos periciais.
Segundo o perito, houve irregularidades na condução de parte do processo investigativo. Ele alega que foi pressionado a anexar um laudo complementar ao inquérito com o objetivo de influenciar o desfecho da apuração.
Ele afirmou ainda que “A Justiça verdadeira se constrói com prova íntegra e procedimento correto. Fiscalizar é fortalecer as instituições”, concluiu.

Deputado pede proteção a perito
O deputado estadual Rafa Zimbaldi (União Brasil-SP) solicitou à Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo a adoção de medidas para garantir a proteção do perito Renato Domingos, que atuou nas investigações da morte de Vitória Regina.
Em ofício encaminhado à pasta, o parlamentar pede a preservação das provas relacionadas ao caso e a segurança pessoal do perito.
No documento, o deputado também solicita a reabertura do inquérito policial, arquivado no ano passado pela Delegacia de Cajamar, e a transferência das investigações para o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na capital paulista, com eventual apoio da Polícia Federal.
Em nota, Zimbaldi afirmou que as declarações do perito levantam questionamentos sobre a condução da investigação e defendeu a apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Relembre o crime
O corpo de Vitória Regina de Sousa foi encontrada na quarta-feira dia 5 de março de 2025, em uma área de mata em Cajamar, na Grande São Paulo. A jovem estava desaparecida desde 26 de fevereiro.
Quando voltava do trabalho, Vitória relatou, em mensagens enviadas a uma amiga, que tinha medo de estar sendo perseguida por dois homens durante o trajeto para casa.
Imagens de câmeras de segurança registraram os últimos momentos em que ela foi vista. Nas gravações, a jovem aparece caminhando em direção a um ponto de ônibus e, em seguida, embarcando no coletivo.

Testemunhas afirmaram ter visto um carro parado próximo ao local onde Vitória desceu. Em um áudio enviado à amiga, ela mencionou que um dos homens entrou no mesmo ônibus. Questionada se estaria sendo seguida, respondeu: “Espero que não”.
À época, a perícia apontou que a causa da morte foi hemorragia provocada por golpes de faca no tórax, no pescoço e no rosto.
Maicol Sales dos Santos foi preso e está detido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos (SP). Segundo a investigação, ele teria tido um relacionamento com a jovem e a matou por receio de que ela revelasse o caso à esposa.
*Reportagem em atualização
