
O Trem Intercidades Eixo Norte (TIC), que ligará Campinas a São Paulo em uma hora, prometendo velocidade de até 140 km/h, teve seu layout externo aprovado e as obras já tem data marcada para começar.
Segundo o presidente da TIC Trens, Pedro Moro, as obras para o funcionamento da locomotiva sobre trilhos, devem começar em maio, com previsão para início da sua operação em 2031.
Andamento do projeto
Atualmente, o projeto do trem intercidades está em fase de pré-construção, com três vetores principais: elaboração de todos os projetos executivos da obra, como estações, sistemas energia e outros; obtenção das licenças ambientais e desapropriações.

Trechos entre as cidade de Campinas (SP) e Jundiaí já estão em fase de desapropriações. Trâmites que envolvem a publicação de decretos de utilidade pública e depósitos judicial dos valores aos proprietários.
Desapropriação por lotes
A implantação do trem depende das desapropriações de trechos, que foram separados em quatro lotes. Dois decretos já foram publicados pelo governo do Estado, definindo as áreas e autorizando a declaração de utilidade pública dos espaços.
– Lote 1: 77 mil m2 – Lote 2: 27 mil m2 – Lote 3: ainda não publicado – Lote 4: ainda não publicado
As áreas podem ser desapropriadas de forma amigável ou judicial. Após a publicação do decreto, a concessionária pode indicar os procedimentos para indenização dos proprietários, usando valores de mercado definidos anteriormente em levantamento técnico.
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Primeiros passos para a implantação
As obras serão iniciadas pela preparação da base dos trilhos, com retirada de materiais como trilhos antigos e tubulações desativadas, além de serviços de drenagem e terraplanagem.

Essa será a fase de fundação da ferrovia, só após isso, serão instalados dormentes, trilhos e sistemas complementares. Os trabalhos serão iniciados no trecho entre Jundiaí e Campinas, com nove pontos de intervenções nos 40 km de extensão.
Valores de tarifa previstos
O trem ligará Água Branca a Campinas em 1h04, com velocidade de até 140 km/h e levando 860 passageiros por viagem. A tarifa estimada para este trecho é de R$ 64. Já o Trem Intermetropolitano que unirá Jundiaí a Campinas, terá trajeto de 33 minutos, com velocidade entre 44 km/h e 80 km/h, com capacidade para levar 2.048 passageiros. O valor estimado é de R$ 14,05.
Investimentos e execução do projeto
O Trem Intercidades contará com investimento total de R$ 14,2 bilhões e a expectativa é de geração de mais de 10 mil empregos diretos e indiretos. A iniciativa deverá atender 11 municípios e impactar cerca de 15 milhões de pessoas.
O contrato foi firmado em maio de 2024. O projeto ficará sob responsabilidade do consórcio C2 Mobilidade sobre Trilhos, formado pela CRRC Hong Kong, da China, com 40% de participação, e pelo grupo brasileiro Comporte, que detém 60% e é ligado à família Constantino. A operação será conduzida pela empresa TIC Trens, criada especificamente para esse fim.
Duração do contrato e aporte financeiro
A concessão tem duração de 30 anos e prevê investimento total de R$ 16,85 bilhões no TIC Eixo Norte, sendo 9,5 bilhões provenientes do Governo do Estado. O projeto tem cerca de 100 km de extensão, abrangendo Trem Intercidades, Trem Intermetropolitano e a modernização da Linha 7-Rubi.
Transporte regional entre cidades vizinhas
Além do Trem Intercidades, está prevista a implantação do Trem Intermetropolitano (TIM), que fará a ligação entre Jundiaí (SP) e Campinas (SP), passando pelos municípios de Louveira (SP), Vinhedo (SP) e Valinhos (SP). A previsão é que o sistema entre em funcionamento em 2029, com aporte aproximado de R$ 14 bilhões.
Como será a Linha 7 – Rubi?
A Linha 7 – Rubi é a principal via do projeto, conectando Água Branca a Jundiaí e servindo de base para o trajeto inicial do TIC até a nova via rumo a Campinas. Hoje, o trecho é usado principalmente para transporte de cargas pela MRS Logística, o que torna o ponto mais complexo da operação devido ao alto fluxo de passageiros e mercadorias. A renovação da concessão da MRS prevê a construção de uma via exclusiva para cargas.

Reforço vindo da China
A concessionária adquiriu cerca de 50 veículos de manutenção, incluindo socadoras, locomotivas, vagões e equipamentos especializados, vindos da China e que chegaram ao país pelo Porto de Santos. Esses veículos não transportam passageiros, mas vão atuar na conservação dos trilhos.

Fábrica para produção dos trens do TIM
A CRRC instalará uma fábrica em Araraquara (SP) para produzir os trens do TIM, num local antes utilizado para produções da Hyundai Rotem. A unidade deve começar a operar ainda neste semestre e poderá atender também outros mercados da América Latina. Segundo a concessionária, a iniciativa expande a cadeia produtiva ferroviária, atraindo fornecedores e retomando a indústria desse setor no Brasil.
