
De longe, a ofensiva dos Estados Unidos, em parceria com Israel, contra o Irã segue o roteiro de um filme repetido.
Donald Trump não inventou a roda. Nem a guerra. Nem as engrenagens que a mobilizam.
Com bombas, o líder da vez promete levar segurança, democracia e paz (?) às áreas atingidas. Faltou combinar com as meninas da escola feminina em Minab, no sul do país persa, atingidas enquanto a potência ocidental mirava uma base da Guarda Revolucionária. Ao menos 175 pessoas, a maioria crianças, morreram na ação.
Duas palavras bastam para mostrar que nem Trump nem Benjamin Netanyahu vão conseguir o que prometem em rede nacional. Iraque e Afeganistão.
E exemplo do atual chefe da Casa Branca, George W. Bush também mentiu para o mundo ao dizer que o ataque a Bagdá visava neutralizar as armas químicas que nunca apareceram. Trump faz o mesmo agora ao citar o programa nuclear iraniano.
O caos nos países atacados neste início de século é a maior prova de que a história está prestes a se repetir.
As coincidências param por aqui. A ação eliminou a cúpula política, militar e espiritual do Irã, entre eles o aiatolá e líder supremo Khamenei. Uma nova cúpula se formou no mesmo dia, e o revide, com o envio de mísseis iranianos em direção a vizinhos onde os Estados Unidos possuem bases militares, não demorou.
Sinal de que, diferentemente do que aconteceu na Venezuela, o país agredido desta vez não vai abrir as portas para o inimigo.
Em 2026, com a ajuda de tecnologia de ponta e serviço de informação conectado com as big techs, nenhuma liderança que peita os interesses norte-americanos está salva em esconderijo algum. Osama Bin Laden levou anos para ser capturado. Hoje as pegadas de geolocalização identificam alvos e matam sem julgamento prévio. Se alguém morrer no caminho, paciência.
Com a ação, Trump remove do Oriente Médio uma das últimas barreiras antiamericanas na região. Isso acontece na porta de entrada da Ásia, onde está o real inimigo de Washington.
A China, potência que hoje coloca a hegemonia dos Estados Unidos em risco, vê o cerco se fechar. Como vai reagir além das notas de repúdio, assinadas também pela Rússia de Vladimir Putin, não sabemos.
Trump é imparável e, mais uma vez, deu de ombros para o Congresso do próprio país e para o Conselho de Segurança da ONU – que ao menos foi consultado por Bush, que agiu apesar da negativa.
Trump mira para fora de olho na perda de apoio interno, com o escândalo Epstein às portas e uma eleição de meio de mandato em que pode acontecer tudo contra ele, inclusive nada.
Uma guerra mobiliza o patriotismo interno e serve para vender falsas soluções de segurança para os anfitriões, supostamente na mira de um regime tão ou mais cruel do que os apoiados pelos salvadores do mundo, como a própria Arábia Saudita.
Salvar a própria imagem é aparentemente o único plano em curso que Trump consegue mobilizar. Talvez ele nem saiba onde fica Teerã e quantos habitantes tem o país atacado. Se soubesse, não diria que seu único freio é o próprio juízo. Isso ele nunca teve.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG
