Radar corporativo: Hidrovias do Brasil, Pague Menos e GPA concentram atenções do mercado

No radar do mercado desta terça-feira, dia 3, estão os resultados da Hidrovias do Brasil, o follow-on da Pague Menos e a disputa societária envolvendo o GPA, controlador do Pão de Açúcar.

A Hidrovias do Brasil reportou prejuízo de R$ 361 milhões no quarto trimestre de 2025 — resultado ainda elevado, mas 11% menor que o registrado no mesmo período de 2024.

No acumulado do ano, o prejuízo caiu de R$ 569 milhões, em 2024, para R$ 141 milhões em 2025. A redução reflete dois fatores principais:

  • Baixa contábil relacionada à venda da operação de Navegação Costeira, concluída por R$ 248 milhões;

  • Melhora operacional ao longo do ano.

O EBITDA ajustado recorrente ficou positivo em R$ 160 milhões no 4T25, revertendo o resultado negativo do 4T24 e indicando avanço na eficiência operacional. Para o mercado, o ponto central passa a ser a capacidade da companhia de sustentar geração operacional de caixa e avançar na desalavancagem — fator determinante para reprecificação do papel. “Ainda é um case de turnaround, dependente de execução e redução de alavancagem”, alerta análise da MSX Invest enviada aos clientes.

Pague Menos: follow-on pode movimentar até R$ 900 milhões

A Pague Menos protocolou na Comissão de Valores Mobiliários pedido de registro para oferta pública primária e secundária de 70 milhões de ações.

O volume poderá ser ampliado em até 78,6% com a inclusão de lote adicional. Considerando o preço de fechamento de R$ 7,20 no último dia 26, a operação pode movimentar até R$ 900 milhões, já contemplando os lotes extras.

A operação pode reforçar o caixa da companhia, ao mesmo tempo em que permite eventual redução de participação por parte de acionistas vendedores. Para o mercado, o foco estará na destinação dos recursos, impacto sobre alavancagem e eventual diluição.

Além disso, o setor farmacêutico também acompanha a tramitação na Câmara do projeto que amplia a possibilidade de venda de medicamentos em supermercados — medida que pode alterar a dinâmica competitiva do segmento.

GPA: disputa com Casino e rebaixamento de rating elevam tensão

O GPA apresentou pedido incidental de tutela cautelar para bloqueio das ações detidas pelo ex-controlador Casino, com o objetivo de preservar direitos e garantias no âmbito de processo de arbitragem iniciado em maio do ano passado.

A arbitragem envolve cobrança de diferenças no recolhimento de IRPJ referentes aos anos de 2007 e 2013, relacionadas à alegada dedução indevida de amortizações de ágio.

Mas o tema ganhou nova dimensão após a agência Fitch Ratings rebaixar o rating da companhia de A para CCC.

A Fitch citou:

  • Risco elevado de refinanciamento;

  • Fluxo de caixa livre negativo;

  • Pressão de liquidez;

  • Possibilidade de reestruturação de dívida.

A empresa afirmou que não houve quebra de covenants e que segue negociando refinanciamento. Para a MSX Invest, o cenário é delicado:  “Rating em nível CCC já sinaliza risco elevado de crédito. Case altamente especulativo neste momento.”

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