Dado Dolabella fala em defender a família. A biografia discorda

Dado Dolabella se filia ao MDBCrédito: Instagram

Dado Dolabella, condenado por agressão contra mulheres, resolveu entrar na política. Sabe para quê? Para defender a família.

Ele se filiou ao MDB e disse que quer o seguinte:

“Trazer de volta o equilíbrio para as crianças, para as mulheres, para os homens. Porque a gente está vendo aí, é muito desequilíbrio, com muita coisa errada acontecendo (…) Então, conte comigo para a gente reestabelecer o equilíbrio na família.” Equilíbrio!

E olha como ele foi apresentado pelo Washington Reis, presidente do MDB,:

“Nós estamos filiando aqui, (…) um homem que tem compromisso com a família, com os princípios bons da sociedade. E agora nós vamos ter essa representação lá na Câmara Federal.”

Se o Dado Dolabella é o melhor que conseguiram pra representar eles na Câmara Federal, pense no pior.

Sobre Equilíbrio

O mesmo Dado Dolabella que foi condenado por agredir a ex-namorada e prima Marina Dolabella.

O mesmo que também já foi condenado por agredir a atriz Luana Piovani.

E o mesmo que teve de indenizar uma funcionária de Luana Piovani que também foi agredida.

Um detalhe curioso: a indenização inicialmente era de 145 mil reais. Depois de duas décadas de disputa, o valor foi “equilibrado” para 60 mil.

Duas décadas para chegar a esse equilíbrio.

Sobre defender a família

Fica a pergunta: como alguém diz que vai defender a família depois de ter histórico de agressões contra mulheres?

O Dado Dolabella falando em defesa da família é mais ou menos como Keith Richards lançar uma campanha antidrogas.

Mas o mais curioso nem é o Dado. Político incoerente sempre existiu.

O que chama atenção é o nível de cinismo que a gente atingiu. Hoje ninguém mais tenta esconder a contradição. A pessoa olha para a câmera, diz o oposto da própria biografia e segue o jogo.

Virou quase uma regra da política brasileira: não importa o que você fez. Importa o que você diz no vídeo do Instagram.

Sobre confusão

Além de se filiar ao MDB, Dolabella também declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro para presidente.

Só que no Rio de Janeiro o MDB está na chapa do prefeito Eduardo Paes para o governo do estado. E Paes tem acordo político para dar palanque ao presidente Lula no estado.

Ou seja: o mesmo partido que ajuda a montar palanque para Lula tem um pré-candidato defendendo Bolsonaro.

Não é direita nem esquerda. É uma feijoada ideológica.

No Brasil, a política ficou tão confusa que, para entender o que está acontecendo, às vezes parece que é preciso um mapa mental.

E, dependendo do dia, até um Rivotril.

Sobre previsão

Ele anunciou também sua pré-candidatura a deputado federal pelo Rio. Eu lancei essa bola lá em 2025. É a saída pra todo artista que precisa se “reinventar”.

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