
A Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo, voltou ao centro das atenções depois de receber o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado dele. A unidade tem concentrado presos ligados a casos de grande repercussão e passou a ser vista, informalmente, como o novo “presídio dos famosos” do estado, no mesmo caminho que Tremembé.
Vorcaro e Zettel haviam sido levados inicialmente para o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, após terem a prisão mantida em audiência de custódia pela Justiça Federal.
A transferência para o sistema penitenciário estadual foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Polícia Federal (PF). Segundo a corporação, a superintendência da PF em São Paulo não possui estrutura para manter presos de forma prolongada, funcionando apenas como unidade de “trânsito”.

Na manhã desta quinta-feira (5), Vorcaro deixou Guarulhos sob escolta da Secretaria da Administração Penitenciária e foi levado para Potim. Como ocorre com novos detentos, ele foi colocado inicialmente em cela de isolamento.
Depois desse período inicial, que costuma durar cerca de dez dias, o banqueiro deve ser encaminhado para um dos pavilhões do regime fechado.
Presos de casos conhecidos
A Penitenciária II de Potim tem capacidade para 844 detentos e abrigava 472 presos até esta semana, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária.
Nos últimos meses, a unidade passou a reunir detentos envolvidos em casos que ganharam grande repercussão nacional. Entre eles está o ex-médico Roger Abdelmassih, condenado por crimes sexuais, além do empresário Sérgio Nahas, condenado por fraude financeira.
Essa concentração de casos conhecidos acabou levando a comparações com a Penitenciária II de Tremembé, tradicionalmente associada a presos famosos no estado.
Durante décadas, Tremembé ficou marcada por receber detentos envolvidos em crimes amplamente divulgados. No fim de 2025, porém, o governo paulista mudou o perfil da unidade e parte dos presos foi transferida para Potim.
Investigação do caso Master
A nova prisão de Vorcaro faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos relacionadas ao Banco Master.
Nesta nova etapa da operação, a PF cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, com apoio do Banco Central.
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A Justiça também determinou o apreensão de bens e bloqueio de até R$ 22 bilhões, medida usada para impedir a movimentação de ativos ligados ao grupo investigado.
Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025, durante a primeira fase da operação, quando tentava embarcar para o exterior no Aeroporto de Guarulhos. Na ocasião, a investigação tratava de suspeitas envolvendo a emissão de títulos irregulares e manipulação de ativos financeiros.
Ele foi solto no fim daquele mês, mas passou a cumprir medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com investigados e impedimento de atuar no setor financeiro.
