“Presídio de Caras”: conheça a prisão que reúne detentos famosos

Penitenciária II ‘Dr. José Augusto César Salgado’ RSAReprodução

O chamado “Presídio de Caras” é o apelido popular do Complexo Penitenciário de Tremembé, localizado em Tremembé, no interior de São Paulo. A unidade ficou conhecida em todo o país por abrigar detentos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional, muitos deles figuras que ganharam notoriedade pública antes ou depois das condenações.

A pequena cidade do Vale do Paraíba, com pouco mais de 53 mil habitantes, abriga o complexo prisional que se tornou um dos mais conhecidos do Brasil justamente por concentrar presos considerados de “alto perfil”. Entre os muros da penitenciária, construída em 1948, já passaram alguns dos nomes mais marcantes do noticiário policial brasileiro, como Suzane von Richthofen, Alexandre Nardoni, Elize Matsunaga, Roger Abdelmassih, Lindemberg Alves e os irmãos Cristian Cravinhos e Daniel Cravinhos.

A presença de criminosos envolvidos em casos amplamente divulgados pela imprensa fez com que a unidade passasse a ser chamada, ao longo dos anos, de “presídio dos famosos” ou “presídio de caras”.

A unidade ficou conhecida em todo o país por abrigar detentos envolvidos em crimes de grande repercussãoGerado por IA

Por que presos famosos são enviados para Tremembé

A transferência de detentos conhecidos para o complexo não acontece por acaso. A Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo costuma utilizar a unidade como destino para presos de grande notoriedade pública. Pessoas envolvidas em crimes muito divulgados ou que tinham vida pública antes da prisão podem correr riscos em penitenciárias comuns. Em unidades onde há forte presença de facções criminosas, esses detentos podem se tornar alvos de violência ou retaliação.

Por isso, o envio para Tremembé busca garantir maior segurança e integridade física, evitando conflitos internos ou ataques dentro das prisões.

Quem está preso atualmente

Alguns detentos conhecidos nacionalmente ainda cumprem pena em Tremembé. Entre eles está Lindemberg Alves Fernandes, condenado pelo sequestro e assassinato da adolescente Eloá Pimentel, em 2008, em um caso que teve grande repercussão nacional. Ele ainda cumpre pena na unidade.

Outro preso no local é Roger Abdelmassih, ex-médico condenado por estupro de pacientes. Após passar períodos em prisão domiciliar, ele retornou ao regime fechado no presídio de Tremembé em 2022, onde ainda cumpre pena.

Também permanece custodiado no complexo Mizael Bispo de Souza, condenado pelo assassinato da advogada Mércia Nakashima, crime ocorrido em 2010.

Um presídio que marcou a história do sistema prisional

Apesar de ter cerca de 77 anos de história, foi o complexo penitenciário que projetou o nome de Tremembé nacionalmente. O presídio, inaugurado há mais de sete décadas e reformado nos anos 2000, já chegou a receber reconhecimento como “Modelo de Gestão Penitenciária”, devido à organização administrativa e à estrutura.

Com o passar do tempo, o local deixou de ser apenas uma unidade prisional e passou a representar um símbolo do sistema carcerário brasileiro. Isso ocorre principalmente por reunir, em um único complexo, detentos envolvidos em alguns dos casos criminais mais conhecidos do país, que marcaram o noticiário policial nas últimas décadas.

Três penitenciárias no mesmo município

Penitenciárias em TremembéReprodução/ Google Maps

Tremembé – Penitenciária I “Dr. Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra” 

A Penitenciária I, localizada no município de Tremembé, no interior de São Paulo, integra o Complexo Penitenciário da cidade e é uma das principais unidades do sistema prisional paulista. Inaugurada em 22 de novembro de 1990, a penitenciária funciona em regime fechado e possui área construída de aproximadamente 38,4 mil metros quadrados.

Instalada na rodovia Amador Bueno da Veiga, no quilômetro 140, nas proximidades do Condomínio Residencial Girassol, a unidade tem capacidade oficial para 1.278 presos. No entanto, dados atualizados até 4 de março apontam que a população carcerária chega a 2.042 detentos, número que mostra uma superlotação.

Além das vagas regulares, a penitenciária também possui setores específicos de atendimento. Na área de Assistência à Pessoa Presa (APP), destinada a serviços de apoio aos detentos, a capacidade é de 207 pessoas, mas atualmente abriga 277 internos. Já no setor identificado como PC, que conta com capacidade para seis vagas, não havia presos no mesmo período.

A penitenciária segue protocolos de segurança estabelecidos pela Polícia Penal de São Paulo, que incluem procedimentos de inspeção de objetos levados por familiares e regras específicas para a entrada de visitantes.

Penitenciária I ‘Dr. Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra’Reprodução/ Vanguarda

Tremembé – Penitenciária II “Dr. José Augusto César Salgado” RSA

A Penitenciária II, conhecida popularmente como P2 de Tremembé, integra o complexo prisional localizado em Tremembé. A unidade funciona em regime semiaberto e é destinada a detentos que já avançaram no cumprimento da pena dentro do sistema prisional.

Instalada na rodovia Amador Bueno da Veiga, no quilômetro 138, nas proximidades do Condomínio Residencial Girassol, a penitenciária foi inaugurada em 26 de agosto de 1948 e possui área construída de cerca de 8,4 mil metros quadrados.

De acordo com dados atualizados até 4 de março, o setor de Regime Semiaberto (RSA) da unidade tem capacidade para 584 presos, mas abriga atualmente 328 detentos.

A Penitenciária II também ficou conhecida nacionalmente por receber presos envolvidos em casos de grande repercussão. Entre eles está o ex-jogador Robinho, que passou pelo local após condenação por estupro na Itália.

Penitenciária II ‘Dr. José Augusto César Salgado’ RSADivulgação/Sap

Tremembé – Penitenciária Feminina II 

A Penitenciária Feminina II de Tremembé integra o complexo prisional localizado em Tremembé, no interior de São Paulo, e é destinada ao cumprimento de pena por mulheres privadas de liberdade. A unidade foi inaugurada em 11 de abril de 2011 e está instalada na rodovia Amador Bueno da Veiga, quilômetro 140, na SP-91, nas proximidades do Condomínio Residencial Girassol.

De acordo com dados atualizados até 4 de março, a penitenciária tem capacidade para 722 detentas, com 651 mulheres atualmente custodiadas na unidade.

Além das vagas regulares, a estrutura também conta com setores específicos. Na área de Assistência à Pessoa Presa (APP), destinada a serviços de atendimento e suporte às internas, a capacidade é de 112 vagas, mas atualmente abriga 137 detentas. Já o setor identificado como PC, com capacidade para duas vagas, registra ocupação total, com duas internas.

Tremembé – Penitenciária Feminina II Divulgação/ Governo de São Paulo

Veja quais famosos já estiveram presos em Tremembé:

1. Roger Abdelmassih

Roger AbdelmassihREPRODUÇÃO/AGÊNCIA BRASIL

O ex-médico Roger Abdelmassih, de 82 anos, um dos pioneiros da fertilização in vitro no Brasil, condenado a mais de 173 anos de prisão por atentado violento ao puder e estupro contra mais de 70 ex-pacientes, cumpria pena na Penitenciária II de Tremembé até janeiro deste ano, quando foi transferido para a Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. 

Abdelmassih foi condenado em 2010, mas permaneceu em liberdade por alguns anos devido a um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que permitia que ele respondesse ao processo fora da prisão.

A situação mudou em janeiro de 2011, quando a Justiça decidiu revogar o benefício após o ex-médico tentar renovar o passaporte, o que foi interpretado como um possível indicativo de que ele pretendia deixar o país. Com a revogação da decisão e a decretação da prisão, Abdelmassih não se apresentou às autoridades e passou a ser considerado foragido. Ele acabou localizado e preso apenas em 2014, no Paraguai.

Ao longo dos anos seguintes, Abdelmassih chegou a obter duas autorizações para cumprir a pena em regime domiciliar, mas elas acabaram revertidas posteriormente pela Justiça. Em 2021, ele retornou ao sistema prisional e, desde então, tenta novamente obter o direito de cumprir a pena em casa, alegando problemas de saúde.

2. Suzane Von Richthofen

Suzane Von RichthofenReprodução/TV Vanguarda

Em 2002, Suzane von Richthofen, de 42 anos, foi condenada a 39 anos de prisão por participar do assassinato dos próprios pais, Manfred e Marísia von Richthofen.

Inicialmente, o crime chegou a ser investigado como latrocínio, mas as apurações da polícia levaram à confissão de Suzane e dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos, responsáveis pela execução do homicídio.

Na época, Suzane mantinha um relacionamento com Daniel Cravinhos. Em depoimento, ela afirmou que os pais eram contra o namoro e pressionavam pelo término. Segundo a investigação, os três planejaram o crime, que foi cometido dentro da casa da família, na zona sul de São Paulo.

Anos depois, Suzane passou a cumprir pena em regime semiaberto na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, no interior paulista. Em 2023, a Justiça autorizou a progressão para o regime aberto.

No mesmo ano, ela se casou com um médico e, em 2024, teve seu primeiro filho. Também em 2024, Suzane iniciou o curso de Direito na Universidade São Francisco, em Bragança Paulista, no interior de São Paulo.

3. Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina IsabellaWERTHER SANTANA/AE

Em 2008, Anna Carolina Jatobá, de 40 anos, e Alexandre Nardoni, de 46 anos, foram condenados a 26 e 30 anos de prisão, respectivamente, pela morte de Isabella Nardoni, de 5 anos. Ela foi jogada do sexto andar do prédio onde moravam o pai e a madrasta, na Zona Norte de São Paulo.

Após o julgamento, os dois foram encaminhados para o presídio de segurança máxima de Tremembé, no interior paulista.

Alexandre permaneceu por cerca de 16 anos na Penitenciária II de Tremembé. Em 2024, por ter apresentado bom comportamento disciplinar durante o período em que esteve preso, Nardoni obteve autorização da Justiça para cumprir o restante da pena em regime aberto. Desde então, passou a viver de forma discreta na capital paulista.

Anna Carolina também progrediu gradualmente no cumprimento da pena. Ela conquistou o regime semiaberto em 2017 e, anos depois, teve a progressão para o regime aberto autorizada, em 2023.

Após deixar a prisão, retirou o sobrenome “Nardoni” de seus documentos e voltou a usar o nome de solteira, Anna Carolina Trota Jatobá. Em liberdade, buscou retomar a convivência com os filhos do casal, que cresceram sob os cuidados dos avós paternos, e passou a contar com apoio da família de Alexandre para recomeçar a vida fora do sistema prisional.

O casal havia se conhecido cerca de quatro anos antes da morte de Isabella e juntos tiveram dois filhos. 

4. Elize Matsunaga

Elise MatsunagaDivulgação

Elize Matsunaga, de 44 anos, foi condenada em 2016 a 19 anos e 11 meses de prisão pelo assassinato e esquartejamento do marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga. O crime ocorreu em 2012, no apartamento do casal, localizado na Zona Oeste de São Paulo.

De acordo com as investigações, após matar o marido, Elize teria esquartejado o corpo, colocado os restos mortais em malas e abandonado o material em uma área de mata no município de Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo.

Em 2019, a pena foi reduzida para 16 anos e três meses de prisão, após a confissão do crime. Depois de cumprir cerca de dez anos em regime fechado, ela obteve, em 2022, o direito de cumprir o restante da pena em liberdade condicional. Durante o período em que esteve presa na ala feminina do presídio de Tremembé, no interior paulista, participou de cursos profissionalizantes e trabalhou em uma confecção de uniformes mantida pelas próprias detentas.

Já em liberdade, Elize passou a trabalhar como motorista de aplicativo na cidade de Franca, no interior de São Paulo, em 2023. 

5. Ex-jogador Robinho

Robinho pediu tranferência da penitenciária de TremembéDivulgação

O ex-jogador de futebol Robinho foi condenado pela Justiça italiana a nove anos de prisão por participação no estupro coletivo de uma mulher de 23 anos. O crime aconteceu em 2013, em uma boate na cidade de Milão, na Itália.

Durante a investigação, autoridades italianas interceptaram diversas ligações telefônicas entre o ex-atleta e amigos que também foram denunciados e posteriormente condenados pelo mesmo crime. Nas gravações, os envolvidos fazem comentários e brincadeiras sobre o episódio, demonstrando acreditar que não sofreriam punição.

Segundo a apuração, Robinho e o grupo estavam em uma casa noturna para comemorar o aniversário de um dos amigos quando conheceram a vítima. Em uma das conversas interceptadas, o ex-jogador afirma que os amigos teriam “rangado” a mulher, expressão que, de acordo com a Justiça italiana, foi utilizada no contexto do estupro coletivo.

Robinho começou a cumprir a pena em março de 2024 na Penitenciária II de Tremembé, no interior de São Paulo. Inicialmente, o Ministério da Justiça da Itália solicitou a extradição do ex-atleta para que ele cumprisse a condenação no país europeu. Como a legislação brasileira não permite a extradição de cidadãos brasileiros, a Justiça italiana pediu que a pena fosse executada no Brasil.

Em novembro de 2025, o ex-jogador foi transferido para o Centro de Ressocialização de Limeira, também localizado no interior paulista.

6. Edinho, filho do Pelé

Pelé e o filho, EdinhoDivulgação/Santos Futebol Clube

Edinho, filho do ex-jogador Pelé, chegou a ser preso após ser condenado por envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As investigações indicavam que ele teria ligação com um grupo criminoso que atuava na Baixada Santista, responsável pela distribuição de entorpecentes e pela movimentação financeira do esquema.

A condenação ocorreu em 2014, quando a Justiça fixou uma pena de mais de 12 anos de prisão. Edinho recorreu da decisão e respondeu ao processo em liberdade por um período, mas posteriormente chegou a ser detido para iniciar o cumprimento da pena, passando por unidades prisionais do interior paulista, incluindo o complexo de Penitenciária de Tremembé.

Ao longo do processo, ele sempre negou participação nas atividades criminosas. Posteriormente, em 2024, acabou absolvido por falta de provas suficientes que comprovassem seu envolvimento direto com o esquema investigado.

7. Lindemberg Alves

Lindemberg Alves é condenado a 98 anos e dez meses de prisão. Júri considerou o réu culpado pelo homicídio de Eloá Pimentel e mais 11 crimes (16/03)Futura Press

Em 2008, Lindemberg Alves foi condenado pelo assassinato da ex-namorada Eloá Cristina Pimentel após mantê-la em cárcere privado por mais de 100 horas. Na época, ele tinha 22 anos e a jovem 15. Ele não aceitava o fim do relacionamento. 

Apesar das tentativas de negociação com a polícia, o caso terminou com a morte de Eloá. O sequestro foi transmitido em tempo real por diversos canais de televisão. 

Em 2012, ele foi condenado a 98 anos e 10 meses de reclusão, um ano depois, foi reduzida para 39 anos. Foram mais de 12 crimes, incluindo homicídio uplamente qualificado, tentativa de homicídio e cárcere privado. 

Ele cumpre pena na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé (SP).

8. Irmãos Cristian e Daniel Cravinhos

Da esquerda para direita: Cristian, Daniel e Suzane von Richthofen após serem presos, em 2002Arquivo

Os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos foram condenados pelo assassinato do casal Manfred e Marísia von Richthofen, crime ocorrido em 2002, em São Paulo. Na época, Daniel namorava Suzane von Richthofen, filha das vítimas. Os três participaram do planejamento e da execução do crime, cometido dentro da casa da família, onde os pais de Suzane foram mortos com golpes de marreta na cabeça.

Pela participação no homicídio, Daniel e Suzane receberam penas de 39 anos de prisão, enquanto Cristian foi condenado a 38 anos.

Em 2014, Daniel obteve na Justiça a progressão para o regime semiaberto. Quatro anos depois, passou a cumprir o restante da pena em regime aberto. Após deixar o presídio, ele abriu uma empresa voltada à customização de motocicletas e capacetes.

Cristian Cravinhos também conquistou o direito ao regime semiaberto em 2014 e avançou para o regime aberto em 2017. No entanto, em 2018, voltou ao regime fechado na penitenciária de Tremembé após ser acusado de tentar subornar policiais militares.

Depois de mais de duas décadas de cumprimento de pena, Cristian voltou a progredir no sistema prisional e, desde março de 2025, cumpre o restante da condenação em regime aberto.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.