Sintonia Final do Sistema: dita regras dentro dos presídios

Sintonia Final do Sistema do PCCGerado por IA

A Sintonia Final do Sistema, formada por oito integrantes identificados pelas investigações do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), é apontada como responsável pelo controle do PCC dentro do sistema prisional, garantindo disciplina, hierarquia e o cumprimento das ordens da facção.

O grupo atua como braço direito da cúpula máxima, conhecida como “Sintonia dos 14” ou “Sintonia Final da Rua”, sendo responsável por transmitir determinações e assegurar que as normas internas sejam obedecidas.

Entre as atribuições está a gestão do que ocorre dentro das unidades prisionais, incluindo a organização de rifas, bingos e eventos destinados a familiares de presos. Também cabe ao grupo a transmissão dos chamados “salves”, ordens repassadas da liderança para integrantes que estão tanto nas celas quanto em liberdade.

Entre as atribuições está a gestão do que ocorre dentro das unidades prisionais, incluindo a organização de rifas, bingos e eventos destinados a familiares de presosGerado por IA

A Sintonia Final do Sistema ainda atua na mediação de conflitos, mantendo a disciplina e a chamada “paz” interna, de forma a evitar transferências indesejadas de lideranças ou rebeliões que não interessem à organização.

Segundo as investigações, a estrutura costuma operar de forma discreta. Em muitos casos, o responsável pela função é um detento com pouca notoriedade perante a direção da unidade prisional, o que facilita a atuação sem chamar atenção.

Sem o aval dos chamados “sintonias”, nada de relevante ocorre na unidade prisional sob sua influência, de acordo com os investigadores.

Veja quem compõe a sintonia:

Almir Rodrigues Ferreira (Nenê de Simoni)Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol)

Nome: Almir Rodrigues Ferreira

Apelido: Nenê do Simioni

Natural: Ribeirão Preto (SP)

Situação: Preso

Descrição: Almir Rodrigues, conhecido como “Nenê do Simioni” (grafado como “Simone” no organograma atribuído à facção), aparece na “Sintonia Final”. Ele está entre os 15 nomes apontados como integrantes da chefia da organização e consta como preso.

Investigado como uma das lideranças com atuação em Ribeirão Preto (SP), é apontado pelas autoridades como elo internacional da facção, e também faz parte da “Sintonia Final dos Estados e Países”, responsável por negócios e estratégias de expansão fora do Brasil. As apurações indicam que, mesmo preso, ele continua exercendo influência sobre o narcotráfico e o tráfico de armas.

Preso desde 2013, Almir foi transferido ao longo dos anos para o sistema penitenciário federal de segurança máxima devido a suspeitas de planos de fuga e ao seu papel de liderança. Em outubro de 2023, foi condenado pela Justiça de São Paulo a 12 anos de prisão por organização criminosa, ao lado de outros integrantes da cúpula.

Além da “Sintonia Final”, é citado como integrante da “Sintonia Final dos Estados e Países” e da “Sintonia Final do Sistema”.

Lucival de Jesus Feitosa (Val do Bristol)Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol)

Nome: Lucival de Jesus Feitosa

Apelido: Val do Bristol

Idade: 44 anos

Situação: Preso

Descrição: Lucival de Jesus, conhecido como Val do Bristol, estava preso na Penitenciária II de Presidente Venceslau (SP) e foi transferido para uma penitenciária de segurança máxima após a descoberta de um plano de fuga.

Apontado como membro do primeiro escalão da organização criminosa, ele seria um dos beneficiados pela ação. Segundo as investigações, integrou a equipe responsável pelo planejamento da operação.

Val do Bristol foi transferido junto com outros 15 detentos, incluindo Marcola, após a polícia identificar um suposto plano de fuga voltado a líderes do PCC e ameaças de morte contra o promotor que atuava no combate à facção no interior do Estado.

Ele integra a chamada “Sintonia Final do Progresso”. De acordo com a polícia, escutas telefônicas identificaram conversas em que Val do Bristol anunciaria ordens a serem repassadas a integrantes da facção que estão em liberdade.

Luiz Eduardo Marcondes Machado de Barros (Du da Bela Vista)Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol)

Nome:  Luiz Eduardo Marcondes Machado de Barros

Apelido: Du da Bela Vista

Crimes: Associação criminosa, tráfico internacional de drogas e por esquemas de lavagem de dinheiro

Situação: Preso

Descrição: As investigações apontam que Du da Bela Vista é um dos líderes da facção criminosa, atuando na “Sintonia Final do Sistema”. Em 2014, o nome dele apareceu em uma lista de chefes do PCC que seriam resgatados de presídios em um plano que envolveria o uso de aeronaves, ao lado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Ele é irmão de um ex-presidente da escola de samba Vai-Vai e, segundo apurações, seria uma figura de influência na agremiação, utilizando o local como reduto. As investigações indicam que Luiz Eduardo teria emprestado R$ 300 mil para que a escola desfilasse no Carnaval de 2022, valor que, de acordo com a polícia, teria origem em atividades ilícitas.

Ainda conforme os investigadores, a escola de samba teria sido utilizada para lavagem de dinheiro, com influência direta de Du da Bela Vista. Apontado como um dos líderes da facção, ele também é investigado por atuação no tráfico internacional de drogas e por esquemas de lavagem de dinheiro, tendo sido transferido para o sistema prisional federal.

Denis Kelvin Tsuyoshi Yoshitake (Japonês)Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol)

Nome: Denis Kelvin Tsuyoshi Yoshitake

Apelido: Japonês

Situação: Preso

Descrição: Denis Kelvin Tsuyoshi Yoshitake tem o nome citado em 46 processos, segundo levantamento em bases públicas.

De acordo com as investigações, ele integra a Sintonia Final do Sistema, sendo responsável por transmitir determinações e assegurar que as normas internas sejam obedecidas.

Atuação além dos presídios

A “Sintonia Final do Sistema” também possui integrantes que exercem funções externas e internas. 

A parte externa, é apontada pelas investigações como o núcleo responsável por coordenar as ações da facção fora do sistema prisional. Diferentemente das sintonias que atuam dentro dos presídios, esse grupo opera diretamente no dia a dia das cidades, organizando e supervisionando as atividades nas ruas.

Entre as atribuições está a gestão das chamadas “bocas”, com a supervisão do comércio varejista de drogas e a garantia de que as diretrizes da organização sejam cumpridas nos territórios sob sua influência. O grupo também administra atividades ilícitas consideradas estratégicas e altamente lucrativas, como o roubo de cargas e o tráfico de drogas em atacado, setor conhecido internamente como “progresso”.

Os responsáveis pelas funções externas são:

Adilson Tavares de Lyra Cavalcante (Buldogue)Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol)

Nome: Adilson Tavares de Lyra Cavalcante

Apelido: Buldogue

Crimes: Tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro

Situação: Preso

Descrição: O site Jusbrasil aponta ao menos 39 processos que mencionam o nome de Adilson Tavares. Ele é apontado pelas investigações como megatraficante ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e foi transferido, em 2022, do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Chácara Belém I para a Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Adilson foi preso em setembro de 2022 e é suspeito de movimentar milhões de reais com o tráfico de drogas e armas. Segundo a polícia, ele também manteria ligação com a máfia italiana e enviaria entorpecentes do Brasil para a Europa por meio do Porto de Santos.

De acordo com as investigações, o suspeito se inspirava no traficante colombiano Pablo Escobar e mantinha, em uma propriedade no interior paulista, um mini zoológico com cavalos, aves exóticas e até um jacaré em um lago. Quatro policiais ambientais foram mobilizados para retirar o animal do local.

Ainda conforme a apuração, ele chegou a se esconder na Bolívia ao descobrir que era procurado pela Justiça. Adilson é investigado por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Antes de ser preso, Buldogue teria sido levado ao chamado “tribunal do crime” do PCC após um desentendimento com outros integrantes da facção.

José Marcelo de Oliveira Diniz (Bruxo)Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol)

Nome: José Marcelo de Oliveira Diniz

Apelido: Bruxo

Descrição: José Marcelo de Oliveira Diniz, conhecido pelo apelido ou vulgo “Bruxo”, tem o nome citado em 12 processos, segundo levantamento no site Jusbrasil.

De acordo com as investigações, ele integra a chamada “Sintonia Final do Sistema” na parte externa, núcleo apontado como responsável por coordenar as ações da facção fora do sistema prisional.

Lucas Gomes Pereira Carneiro (LC)Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol)

Nome: Lucas Gomes Pereira Carneiro

Apelido: LC

Descrição: De acordo com as investigações do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), ele integra a chamada “Sintonia Final do Sistema” na parte externa, fora dos presídios.

Articulação externa de ex-detentos federais

Eloi Emanuel Pereira, conhecido como “Burguês”, é apontado como responsável pelo setor chamado “Das Federais na Rua”. A expressão indica que lideranças ou integrantes ligados a setores operacionais que antes estavam custodiados no sistema penitenciário federal passaram a atuar em liberdade, seja nas ruas ou na condição de foragidos.

Eloi Emanuel Pereira (Burguês)Polícia Civil de São Paulo

Nome: Eloi Emanuel Pereira

Apelido: Burguês e Skatista

Descrição: Eloi Emanuel Pereira tem o nome citado em 33 processos, segundo levantamento no site Jusbrasil.

Em 2015, uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Núcleo Ribeirão Preto, realizada em conjunto com a Polícia Militar e a Polícia Militar Rodoviária, resultou na prisão de integrantes de um núcleo do Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeito de atuar no tráfico de drogas e de armas de grande poder de fogo na região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

De acordo com as investigações, Eloi e outros envolvidos foram abordados quando transportavam armamento para Ribeirão Preto em dois veículos, sendo que um deles exercia a função de “batedor”. Eloi Pereira conseguiu fugir e seguiu para Ribeirão Preto, onde permaneceu escondido antes de partir para São Paulo. Ele acabou localizado na rodovia Anhanguera, na altura de Leme, quando foi cumprido o mandado de prisão temporária contra ele.

Eloi já havia sido preso em 2014 e denunciado pelo Gaeco de Ribeirão Preto, mas foi solto após a concessão de habeas corpus pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo as investigações, ele teria retomado as atividades ligadas ao tráfico de drogas e ao comércio ilegal de armas.

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