
Um novo organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo (Dipol) mapeia a atual estrutura hierárquica do Primeiro Comando da Capital, organizada em 12 sintonias. Entre elas está a Sintonia Final da Baixada, apontada como responsável por coordenar as atividades da facção no litoral paulista.
De acordo com as investigações, esse núcleo atua principalmente nas cidades de Santos, Guarujá, Cubatão e São Vicente, região considerada estratégica para o tráfico internacional de drogas por concentrar áreas portuárias e rotas de escoamento. O organograma identifica três integrantes vinculados diretamente a essa sintonia.
Além da Sintonia Final da Baixada, o levantamento cita a FM-BX (Família da Baixada), núcleo responsável pelo controle de pontos de venda de drogas, as chamadas biqueiras, em municípios como Santos e Guarujá.
A seguir, veja quem são os integrantes da Sintonia Final da Baixada.
1. Wagner Rodrigo dos Santos

Wagner Rodrigo dos Santos, conhecido como “Branquinho”, foi condenado a 13 anos e sete meses de prisão pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro. Ele havia sido absolvido em primeira instância, em janeiro de 2022, mas o Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão, e a 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça acolheu o recurso, reformando a sentença.
Segundo as investigações, Branquinho participou de um esquema responsável por ocultar a movimentação de cerca de R$ 1 bilhão entre janeiro de 2018 e julho de 2019. No período, ele teria transferido aproximadamente US$ 13,6 milhões para os cofres da facção, valor proveniente do tráfico de drogas.
Preso em fevereiro de 2019, Branquinho continuou, de acordo com os promotores, a autorizar remessas de dinheiro mesmo após ser transferido para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, unidade considerada de segurança máxima. Dados da investigação indicam que, entre março e junho de 2019, ele autorizou 22 transferências que somaram US$ 5,5 milhões. Antes da prisão, ainda em liberdade, teria movimentado outros US$ 6,8 milhões em nove operações.
Para o Ministério Público, a atuação demonstra que Branquinho exercia função de comando mesmo encarcerado, mantendo contato com outros integrantes presos em diferentes unidades prisionais. As acusações resultaram no reconhecimento de falta grave pela administração penitenciária.
2. Bruno Costa Calixta

Bruno Costa Calixta, conhecido como “Boy”, está preso desde dezembro de 2017 e é investigado por atuação no tráfico internacional de drogas. Segundo as apurações, ele utilizava embarcações que atracavam no Porto de Santos para enviar entorpecentes à Europa, a partir de mergulhadores que fixavam a carga nos cascos dos navios.
No Guarujá, Boy exercia a função conhecida como “disciplina”, responsável por zelar pelo cumprimento das regras internas da facção e mediar conflitos entre integrantes. As investigações indicam que ele também administrava pontos de venda de drogas na região.
A prisão ocorreu no apartamento onde morava com a esposa, no litoral paulista. No local, policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), com autorização judicial, apreenderam anotações relacionadas ao comércio de drogas, pequenas porções de maconha e cocaína, além de dois telefones celulares, um com registro de furto e outro de roubo. Calixta foi autuado por receptação e organização criminosa.
Mensagens extraídas de aplicativos de conversa apontaram ainda o interesse de Boy em ampliar a atuação da facção no município, inclusive com o recrutamento e o batismo de novos integrantes.
3. Lourivaldo Gomes Flor

Lourivaldo Gomes Flor, conhecido como “Lori”, integra o chamado “resumo disciplinar da Baixada” e acumula condenações que somam 118 anos de prisão. Classificado como de alta periculosidade, ele possui antecedentes por crimes como roubo, homicídio qualificado, ameaça, extorsão e latrocínio.
Apontado pelas autoridades como uma liderança de grande influência, Lori teria atuação relevante não apenas fora, mas principalmente dentro do sistema prisional, exercendo ascendência sobre a massa carcerária vinculada à facção. Relatórios de investigação indicam que ele figurou entre os principais alvos de planos de resgate elaborados a partir da Penitenciária II de Presidente Venceslau, frustrados pelas forças de segurança em 2018, além de constar em apurações envolvendo a Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira.
Em uma dessas investigações, policiais encontraram, em um veículo nas imediações da unidade prisional de Presidente Venceslau, documentos que detalhavam uma tentativa de resgate e um bilhete que indicava uma possível ordem para executar um promotor de Justiça responsável por requerer a transferência de lideranças para o sistema penitenciário federal.
Lori também possui histórico de tentativas de fuga em presídios estaduais de São Paulo, com registros especialmente nas unidades de Franco da Rocha e Guarulhos, onde esteve custodiado em períodos anteriores.
Família da Baixada (FM-BX)
A chamada Família da Baixada (FM-BX) é apontada como o braço operacional do PCC no varejo de drogas no litoral paulista. No organograma elaborado pelo Dipol, Danilo Teixeira de Souza, conhecido como “Bonitinho” ou “Neymar”, aparece vinculado ao setor de fiscalização e monitoramento interno do grupo.
1. Danilo Teixeira de Souza

Segundo registros do Tribunal de Justiça de São Paulo, Danilo foi condenado por tráfico de drogas e associação para o tráfico em Santos, no litoral de São Paulo. Em julgamento realizado em fevereiro de 2017, a Corte manteve a pena em regime fechado, destacando a apreensão de grande quantidade de entorpecentes e a ligação com organização criminosa.
Também há contra ele condenação por lavagem de dinheiro, relacionada a bens identificados nas investigações. Ele já esteve preso na Penitenciária Paulo Luciano de Campos, em Avaré, no interior de São Paulo, mas atualmente é considerado procurado pela Justiça.
