
A família da policial militar Gisele Alves, morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, em São Paulo, pede que o caso seja investigado como feminicídio e contestam a versão inicial que alega que a soldado teria se matado.
Áudios e vídeos obtidos e divulgados pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (8), revelam que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto, marido de Gisele, acionou um desembargador e trocou de roupa após o disparo.
Os materiais em áudio indicam que o tenente-coronel acionou a PolÍcia Milital. Na ligação, ele afirma que Gisele havia se matado com um tiro na cabeça e solicita resgate, uma viatura. Em seguida, ele liga para o Corpo de Bombeiros. “A minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Ela ainda está viva, ela está respirando”, disse na época.
Detalhes chamam atenção
No dia da ocorrência, Bombeiros estiveram no local para prestar socorro à vítima, que estava viva. Segundo investigações, um dos socorristas teria relatado em depoimento que detalhes na cena chamaram atenção. De acordo com ele, a arma estava bem encaixada na mão de Gisele, diferente do que já havia visto em casos de suicídio.
Ademais, o sangue já estava coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado, conforme informações do socorrista.
Suposta crise no casamento e financeira
Em áudios captados no prédio, o marido de Gisele afirma que os dois vivem uma crise no casamento e finaceira. “A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”, salientou.
O militar contou que os dois estavam sozinhos no imóvel desde a noite anterior e que chegaram a discutir a relação. Ainda confome o tenente-coronel, a dicussão teria continuado no dia seguinte.
“Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, disse.
Gisele chegou a ser reanimada pelos socorritas e foi retirada do prédio com vida. Segundo relatos dos bombeiros, o marido permanceu ao telefone e não teria esboçado desespero diante da situação.

Local da morte não foi preservado
Laudos da Polícia Técnico-Científica, obtidos pelo Fantástico, apontam que o local da morte da soldado não foi preservado, o que teria impedido a realização de perícia mais detalhada. Um vídeo gravado logo após os socorristas deixarem o apartamento mostram móveis, obejtos e produtos de limpeza espalhados pelo chão.
Além disso, policiais que atenderam a ocorrência frisam que Geraldo Neto tomou banho, mesmo alegando que teria feito isso no momento em que Gisele supostamente teria se matado, trocado de roupa e exalava cheiro forte de produto químico.
