
Uma mulher foi condenada por injúria racial na cidade de Campinas, interior de São Paulo, após ofender uma jovem no playground do shopping Parque das Bandeiras. O caso aconteceu em abril de 2022, e a justiça condenou, na última sexta-feira (06), a ré a dois anos de prisão, mas a pena foi substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa de 10 salários mínimos à vítima. Ainda cabe recurso.
Sobre o caso
A ré, Anna Raquel Predonetti Campos, proferiu a frase “vamos embora porque aqui está cheio de preto”, em 9 de abril de 2022, olhando diretamente para a vítima, que estava no playground com a filha de um amigo. Ao ser questionada, ela repetiu a frase criminosa e ainda acrescentou “preto não gosta da gente”.
A vítima, a analista de RH Aline Cristina Nascimento de Paula, que na época tinha 28 anos, disse que ficou surpresa com a declaração feita na mesma hora que ela adentrou o parquinho.
Aline ainda questionou a ofensora, dizendo “Senhora, pega o seu filho e vai embora, que a senhora está sendo racista”. Ela respondeu “É isso mesmo! Sou racista mesmo!”
A Polícia Militar foi chamada por outras pessoas que estavam no local e presenciaram a situação. Seguranças do shopping impediram que a mulher fosse embora antes da chegada dos policiais.
Na ocasião, as duas mulheres foram levadas para a delegacia e o caso foi registrado como injúria racial. Anna Raquel foi presa em flagrante, mas pagou fiança de R$ 1,5 mil para ser liberada.
Processo e defesa da ré
Testemunhas ouvidas durante o processo confirmaram a versão da vítima e afirmaram que a acusada repetiu diversas vezes as falas racistas. O juíz considerou os depoimentos suficientes para comprovar as ofensas sofridas pela vítima.
Um exame de sanidade mental foi feito pela ré já que a defesa alegou problemas psicológicos e consumo de álcool, além de falar que Anna Raquel não se lembrava do ocorrido. O procedimento concluiu que a mulher tinha capacidade de entender o que estava fazendo no momento dos fatos.
Na época, o Shopping Parque das Bandeiras divulgou uma nota informando que prestou assistência à vítima e afirmou que não tolera qualquer tipo de discriminação em suas dependências.
