
As rodovias federais do Paraná registraram 101 mortes no primeiro bimestre de 2026, um aumento de 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Este é o segundo ano consecutivo de alta. Em 2024, o número de mortes em acidentes era de 83, o qual subiu para 88 em 2025. Durante o mesmo intervalo, o número de acidentes também subiu, passando de 1.155 para 1.190 em comparação com 2025. Já o total de pessoas feridas em acidentes subiu de 1.342 para 1.408.
De acordo com Maciel Júnior, agente da Polícia Rodoviária Federal no Paraná, o agravamento desse cenário gira em torno das decisões dos motoristas ao volante. “A população tem que saber que existe uma legislação e que ela deve ser cumprida”, reforça.
A BR-277, exemplo citado por Maciel Júnior, tem trechos rurais e atravessa municípios como Paranaguá, Curitiba, Cascavel, Guarapuava e Foz do Iguaçu, onde muitas vezes funciona como avenida. Por isso, acidentes não se restringem a colisões entre veículos, mas também incluem atropelamentos e colisões com ciclistas.
Para complementar a fiscalização a PRF está adotando o uso de drones para flagrar ultrapassagens proibidas e usos irregulares de acostamento. A tecnologia se soma ao uso do videomonitoramento. Essas ações têm caráter educativo e servem para “diminuir o ímpeto do motorista para acelerar um pouco mais, ou ultrapassar onde não pode”, diz Maciel.
O policial também destaca que ainda existe uma “cultura da cervejinha”, em que motoristas dirigem após consumir álcool. A prática é crime desde 2008, com a implementação da Lei Seca, mas ainda persiste nas rodovias.
“O motorista brasileiro carece de uma mudança de comportamento e a PRF sozinha não é capaz de mudar. Mas, por meio de iniciativas como a fiscalização à distância e alertas para imprensa sobre o número alto de acidentes e mortes, a PRF tenta atingir o motorista para que ele mude e conduza com mais prudência nas rodovias”, conclui.
Paraná liga o Centro e o Sul do país
Além do volume de acidentes, o Paraná também funciona como um eixo de ligação entre o Sul e o restante do país, explica Maciel Júnior. Para quem vem de São Paulo, as rotas afunilam no Paraná antes de seguir para o Sul ou para as fronteiras com Argentina e Paraguai. Esse cenário amplia o trabalho de fiscalização da PRF no estado, incluindo o combate ao tráfico de drogas e ao transporte ilegal de mercadorias sem declarações de imposto ou contrabandeadas.
