CPMI do INSS tem reunião cancelada após decisão do STF

Senador Carlos Viana (Podemos), presidente da CPMI do INSSAgência Senado

Mais uma audiência da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) foi cancelada nesta quarta-feira (11). O ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Ferreira Lima foi desobrigado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça a comparecer e prestar depoimento na condição de investigado.  

Apontada como “mais uma interferência no parlamento”, o senador e presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos), apresentou certa indignação à nova decisão do judiciário.

“Decisões monocráticas impedem, atrasam e infelizmente, dificultam o nosso trabalho em dar respostas ao povo brasileiro sobre tudo que aconteceu na previdência”, declarou. 

O parlamentar afirmou ainda que tem uma agenda com o ministro e relator do Caso Master ainda nesta quarta-feira (11) e enfatizou que vai tratar sobre este assunto e pedirá que “essa posição seja revista”. Viana reforçou também o respeito e o “reequilíbrio entre os Poderes”

A comissão investiga o esquema de fraudes que envolvem empréstimos consignados de milhares de aposentados e pensionistas do INSS, e o ex CEO do Banco Master, Augusto Ferreira Lima era o “cabeça” dos créditos consignados quando estava a frente da instituição até 2024.

Habeas Corpus no STF

A defesa de Lima acionou o STF argumentando que é um direito constitucional garantido ao investigado a não incriminação e produção de provas contra si mesmo. O pedido foi acolhido por Mendonça que reforçou a garantia dos direitos fundamentais. 

“Defiro o pleito formulado para afastar a obrigatoriedade de comparecimento, transmudando-a em facultatividade, deixando a cargo do requerente a decisão de comparecer, ou não, à “CPI do INSS”. Consigno que o comparecimento é de caráter estritamente facultativo e dependerá de sua anuência explícita”, declarou o magistrado em petição a favor de Lima.

Mendonça reforçou ainda que a garantia dos direitos fundamentais deve prevalecer. E decidiu também que, caso o ex-sócio de Vorcaro escolhesse comparecer, era garantido o direito de silêncio, a assistência por advogados e mais, dispensa do compromisso em falar a verdade – o que é exigido apenas de testemunhas. 

Contexto da investigação

O empresário é figura importante nas investigações que envolvem o Banco Master e o Banco Pleno – este último foi liquidado pelo Banco Central em fevereiro deste ano. Quando à frente do Master com Vorcaro, a instituição teve um aumento exponencial entre 2023 e 2024, conforme apontam dados da Controladoria Geral da União (CGU). 

Além de estar sob a lupa do Congresso, Lima é também investigado pela Polícia Federal (PF) dentro da Operação Compliance Zero, juntamente com Daniel Vorcaro, mas sob aspectos distintos. Os parlamentares buscam esclarecimentos quanto a envolvimento em supostos descontos travestidos de empréstimos consignados a beneficiários do INSS – modalidade em que o pagamento do empréstimo é feito com parcelas direto na fonte de pagamento, na folha.

O banqueiro também responde por supostas irregularidades financeiras e falta de compromisso para com as obrigações na face do Banco Pleno, instituição financeira que estava a frente, desde o rompimento da sociedade com Vorcaro, em 2024.

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