São Paulo tem plano permanente contra chuvas; entenda

Plano permanente contra chuvas em São Paulo prevê ações ao longo de todo o ano para reduzir enchentesPaulo Pinto/Agência Brasil

A cidade de São Paulo passou a ter um Plano de Prevenção às Chuvas permanente, válido durante todo o ano, com ações para diminuir enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra. 

O plano reúne diferentes órgãos da prefeitura para acompanhar as condições do tempo, realizar ações de prevenção e atender famílias atingidas por tempestades, diante do aumento de chuvas fortes em várias épocas do ano.

Entre abril e agosto ocorre a fase de preparação, quando os órgãos municipais organizam equipes e realizam ações de prevenção em áreas consideradas mais vulneráveis. Já a fase de execução vai de setembro a março do ano seguinte, período em que normalmente ocorrem as chuvas mais intensas na capital.

Para acompanhar a situação na cidade, o plano utiliza quatro níveis de risco: observação, quando não há perigo imediato; atenção, quando há previsão de chuva forte; alerta, quando começam a surgir ocorrências; e alerta máximo, decretado em casos de enchentes de grande porte, quando pode ser necessário apoio dos governos estadual ou federal.

Quem define esses níveis é o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), responsável por monitorar o clima na cidade com base em dados de chuva, previsões meteorológicas e informações enviadas por equipes nas ruas, como agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Defesa Civil.

A medida foi oficializada em outubro de 2025 e substitui o modelo antigo, que funcionava apenas no verão.

Limpeza de rios e apoio a famílias afetadas

Secretarias municipais participam do plano com tarefas específicas. A Secretaria das Subprefeituras e o Departamento de Zeladoria Urbana (DZU), por exemplo, fazem a limpeza de rios, córregos e reservatórios de água da chuva, conhecidos como piscinões, além da manutenção de galerias subterrâneas e bocas de lobo.

Segundo a prefeitura, apenas nos primeiros meses de preparação para o ciclo 2025/2026 foram retiradas mais de 127 mil toneladas de lixo, terra e outros resíduos dos rios e córregos da cidade.

A CET também possui um manual que orienta o bloqueio de vias em caso de alagamentos. Entre os pontos considerados críticos estão trechos das marginais Tietê e Pinheiros e túneis importantes, como Anhangabaú e Ayrton Senna.

Quando moradores precisam deixar suas casas por causa das chuvas, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) registra as ocorrências e organiza abrigos temporários, que podem funcionar por até 30 dias.

Em algumas situações, a Secretaria de Habitação (SEHAB) pode fornecer um cartão emergencial de R$ 1.000 para compra de itens básicos, como alimentos, roupas e produtos de higiene.

A Secretaria Municipal da Saúde também monitora possíveis doenças relacionadas às enchentes, como a leptospirose.

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Primeiros resultados do plano

Um balanço apresentado em reunião realizada em 13 de fevereiro de 2026 mostrou os primeiros resultados do plano. Entre 01 de janeiro e 10 de fevereiro foram registrados 117 chamados relacionados às chuvas.

As ocorrências atingiram 1.810 famílias, somando 6.089 pessoas atendidas. Para ajudar essas vítimas, foram distribuídos mais de 17 mil itens, como cobertores, colchões, cestas básicas e kits de higiene e limpeza.

Segundo a Defesa Civil, as quedas de árvores foram o problema mais frequente, representando 68% dos atendimentos. Entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026 foram registradas 2.887 ocorrências desse tipo.

As regiões das subprefeituras da , Butantã e Vila Mariana concentraram o maior número de casos.

Também foram registrados 140 deslizamentos de terra, principalmente em Campo Limpo, São Mateus e Parelheiros. Já os alagamentos e inundações somaram 212 registros em janeiro e mais 50 nos primeiros dias de fevereiro.

O representante do CGE, Hassan Mohamad Barakat, informou que o volume de chuva em janeiro ficou próximo do esperado para o período. Foram registrados 248 milímetros, valor semelhante à média histórica de 252 milímetros.

Novas medidas em estudo

Com base nos primeiros meses de funcionamento do plano, a prefeitura discute novas medidas para reduzir os impactos das chuvas fortes.

Uma das propostas é atualizar o Plano de Ação Climática da cidade, conhecido como PlanClima, que define metas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.

Entre as iniciativas está a criação de 2.000 “jardins de chuva” até 2036. Essas áreas verdes são projetadas para absorver parte da água das tempestades, ajudando a reduzir o volume que chega às ruas e aos rios.

Também está prevista a ampliação do sistema de alerta por celular, chamado de cell broadcast, que envia avisos automáticos de emergência para celulares localizados em áreas de risco.

Outra medida em discussão é a criação, até 2028, de um protocolo único para orientar o trânsito da cidade em dias de tempestade.

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