
A chamada “Sintonia dos Advogados”, também conhecida entre autoridades como “Sintonia dos Gravatas”, possui 12 participantes, segundo o levantamento do Departamento de Inteligência de Polícia Civil (Dipol), e é apontada por investigadores como um dos braços estruturais do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo apurações do Ministério Público e da polícia, o núcleo seria formado por advogados selecionados pela facção para atuar não apenas na defesa técnica de seus integrantes, mas também como elo de comunicação entre presos e lideranças em liberdade.
De acordo com as investigações, a principal função atribuída ao grupo seria a transmissão de mensagens, os chamados “salves”, contendo orientações estratégicas, determinações internas e, em alguns casos, ordens relacionadas a atividades ilícitas. A atuação se valeria do sigilo profissional entre advogado e cliente, o que, segundo as autoridades, dificultaria interceptações e o monitoramento das comunicações.

Além da intermediação de informações, o grupo também seria responsável pela gestão do atendimento jurídico dos integrantes da facção. Isso incluiria o recrutamento de novos advogados e a organização do pagamento de honorários, que, conforme as apurações, poderiam ter origem ilícita.
A estrutura foi alvo de operações conduzidas pelo Ministério Público e por forças policiais, como a Operação Ethos, além de ações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). As investigações resultaram na prisão de profissionais suspeitos de envolvimento.
Relatórios de inteligência apontam que a facção teria adotado um modelo organizacional semelhante ao empresarial, com divisão de tarefas e hierarquia definida. Nesse contexto, a chamada sintonia jurídica atuaria de forma estruturada para resguardar interesses da cúpula, em articulação com outros setores internos, como a “Sintonia Restrita” e a “Sintonia Final”.
Os advogados investigados podem responder por integração em organização criminosa e outros crimes correlatos. Em paralelo às medidas penais, também podem ser alvo de sanções disciplinares e decisões judiciais que restrinjam sua atuação profissional, conforme o andamento dos processos.
Saiba quem são os integrantes desse grupo:

Nome: Alan Ferreira da Costa
Apelido: Formigão e Mateus
Descrição: Ele é citado em investigações que apuram a atuação da chamada “Sintonia dos Advogados do Sistema”, pela investigação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol). Além disso, de acordo com o site Jusbrasil o nome dele é mencionado em 25 processos.

Nome: Alessandro Souza dos Reis
Apelidos: Sassa e Nike
Situação: Preso
Descrição: Ele é citado em investigações que apuram a atuação da chamada “Sintonia dos Advogados do Sistema”, apontada como um dos núcleos de liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com as apurações, a cúpula do grupo é formada, entre outros integrantes, por Alessandro Souza dos Reis, apontado como uma das principais lideranças da estrutura.
Conforme as investigações, Alessandro Souza dos Reis exerceria função de liderança com contato direto com a cúpula nacional da organização criminosa. Ele seria um dos responsáveis por administrar, organizar e difundir as diretrizes do grupo, com o objetivo de fortalecer a estrutura interna, disseminar a ideologia da facção e ampliar o número de integrantes.
Ainda segundo o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) , o colegiado de líderes representa o vértice máximo da hierarquia da organização, ao qual os demais setores estariam subordinados e deveriam prestar contas.
As apurações indicam que cabe a esse grupo a atribuição de “julgar” e “sentenciar” integrantes que descumpram as regras internas. Também seriam responsáveis por autorizar batismos e o cadastramento de novos membros na facção.

Nome: Carlos Cardoso Pereira
Apelido: Oséias
Descrição: Ele é citado em investigações que apuram a atuação da chamada “Sintonia dos Advogados do Sistema”, pela investigação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol).

Nome: Marcos Paulo Ferreira Lustosa
Apelidos: Mandrova e Japonês
Situação: Preso
Descrição: Em 2017, ele foi listado entre os integrantes da cúpula da facção cuja transferência para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) foi solicitada, após investigações que mapearam o organograma da organização criminosa.
De acordo com consulta à plataforma Jusbrasil, o nome dele é citado em 247 processos judiciais.
Ainda segundo as apurações, ele integra a chamada “Sintonia dos Advogados do Sistema”, apontada como um dos núcleos estratégicos da estrutura da facção.

Nome: Marlon Jackson do Nascimento
Apelidos: Marlon, Foz e Loco
Idade: 46 anos
Descrição: Segundo o Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), Marlon Jackson do Nascimento é apontado como integrante da chamada Sintonia dos Advogados do Sistema.
O último registro envolvendo o nome dele é de 2006, quando foi preso por tráfico de drogas. Na ocasião, a polícia apreendeu 427 quilos de maconha, três comprimidos de ecstasy e um carro modelo Chevrolet Caravan.
A droga e o veículo foram encontrados em uma casa no bairro Jardim Santa Rosa, em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde, segundo a polícia, ele morava.

Nome: Paulo Cesar Souza Nascimento Junior
Apelidos: Neblina e Pimenta
Idade: 51 anos
Condenação: 145 anos
Situação: Preso
Descrição: Paulo Cesar foi preso na Penitenciária II de Presidente Venceslau (SP) e, em 2022, transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS).
Ele foi condenado a 68 anos, três meses e 20 dias de prisão por crimes comuns, além de mais 76 anos e 11 meses por crimes hediondos, entre eles sequestros violentos. Somadas, as penas chegam a 145 anos, dois meses e 20 dias de reclusão.
Em 2023, em uma correspondência de 16 páginas enviada ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), Paulo Cesar relatou ter sofrido torturas enquanto estava custodiado na Penitenciária Federal de Brasília, porém ele foi mantido preso por receio de retornar ao estado de São Paulo e rearticular ações do PCC.

Nome: Romulo Barbosa Silva
Apelido: Lili
Situação: Preso
Descrição: Segundo o Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), Romulo Barbosa, é apontado como membro da “Sintonia dos Advogados do Sistema”.
Ele é mencionado em 180 processos segundo o site Jusbrasil.

Nome: Paulo Pedro da Silva
Apelido: Beiço
Situação: Preso
Descrição: Em 2017, integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre eles Paulo Pedro da Silva, foram mantidos no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
O RDD é conhecido como “cárcere duro” devido às rígidas restrições de visitas e de comunicação impostas aos detentos.
A permanência da cúpula da facção nesse regime está relacionada às investigações que resultaram na deflagração da Operação Ethos. A apuração da Polícia Civil apontou que ao menos 33 advogados teriam atuado em favor dos interesses da organização criminosa.

Nome: Valdeci Francisco Costa
Apelido: Circuito integrado
Idade: 62 anos
Situação: Preso
Descrição: Valdeci Francisco é apontado pelas autoridades como um dos responsáveis pela arrecadação financeira da facção no interior de São Paulo e como articulador do chamado “núcleo jurídico” da organização, muitas vezes citado nas investigações como “Sintonia dos Gravatas”.
Ele foi preso em 2006, após investigações da polícia indicarem sua atuação no recolhimento de contribuições pagas por integrantes do grupo.
Devido à posição de liderança atribuída a ele, Valdeci foi alvo de transferências para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) e também para presídios federais de segurança máxima, como parte das estratégias adotadas pelo Estado para enfraquecer a estrutura da facção.
Em 2016, investigações da Polícia Civil apontaram que ele teria tentado criar uma organização não governamental (ONG) de Direitos Humanos. Segundo os investigadores, a iniciativa teria como objetivo disfarçar atividades ilícitas. No mesmo ano, ele voltou a ser preso em Monte Mor, na região de Campinas, acusado de envolvimento com o PCC.
Já em 2026, um organograma elaborado pelo Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol) indicou que Valdeci atua na chamada “Sintonia dos Advogados do Sistema”.

Nome: Wilber de Jesus Merces
Apelidos: Taboão, Pirajuí e Ralf
Crimes: Ele foi condenado por ajudar a planejar o resgate de Marcola
Pena: 8 anos
Situação: Preso
Descrição: Wilber de Jesus Mercês, conhecido como “Pirajuí”, passou a dar ordens na facção no dia a dia, substituindo o líder Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, atualmente custodiado em um presídio federal em Brasília.
Wilber está entre os presos que assumiram funções de comando e que já haviam sido investigados em 2016 durante a Operação Ethos. A ação policial atingiu 54 acusados, entre eles 14 advogados e um dirigente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).
Segundo as investigações, Wilber atuava na chamada “Sintonia dos Advogados”, núcleo ligado ao setor jurídico da organização criminosa. Ele também esteve internado no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), na Penitenciária de Presidente Bernardes, ao lado de Marcola e de outros integrantes da cúpula da facção. Posteriormente, retornou para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista.
Wilber foi condenado por planejar o resgate de Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, no Distrito Federal.

Nome: Cleber Marcelino Dias do Santos
Apelido: Clebinho
Pena: 30 anos
Crimes: Corrupção ativa e por integrar o PCC
Situação: Preso
Descrição: Conhecido como “Clebinho”, ele era apontado como integrante da chamada “Sintonia Final Geral”, considerada a cúpula da facção.
Clebinho foi condenado a 30 anos de prisão por integrar e liderar organização criminosa armada, além do crime de corrupção ativa.
De acordo com consulta à plataforma Jusbrasil, o nome dele aparece em 130 processos judiciais.
Em decisões judiciais, a Justiça também determinou a transferência dele para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), considerado o sistema mais rigoroso do sistema prisional. No organograma da Polícia Civil de São Paulo Cleber aparece como associado da “Sintonia dos Advogados do Sistema”.

Nome: Leandro dos Santos Silva
Apelidos: Magrelinho e Rabujento
Descrição: Ele faz parte da “Sintonia Interna” e atua dentro da “Sintonia dos Advogados do Sistema” do PCC, segundo a investigação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol).
