
Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco era advogado criminalista e fundador do Grupo Prerrogativas.
Divulgação
Investigadores do 4º Distrito Policial analisaram câmeras de segurança da rua Doutor Cesário Mota Júnior, em Higienópolis, no Centro, onde o advogado criminalista Luiz Fernando Pacheco foi encontrado desacordado na quarta-feira (1°), e descobriram que ele foi abordado por duas pessoas – uma mulher e um homem – que anunciaram um assalto.
Os investigadores afirmam aos amigos e à família que ele pode ter sido vítima de latrocínio, que é o crime de roubo seguido de morte.
Segundo fontes da polícia, da família e amigos ouvidas pelo g1, uma dupla anunciou um assalto e quando tentaram tirar o relógio e o celular de Pacheco. Ele teria reagido ou teria feito um movimento brusco e foi agredido pelos dois criminosos.
✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp
Os familiares e amigos narraram que Pacheco teria caído no chão e recebido mais golpes, inclusive uma cotovelada e um golpe de judô, segundo descreveram ao g1 os investigadores.
Os assaltantes fugiram do local levando celular, carteira e relógio do advogado.
Luiz Fernando Pacheco, entretanto, ficou deitado na sarjeta e foi socorrido por uma outra pessoa que passava pelo local, segundo os amigos do Grupo Prerrogativas, que acompanham as investigações.
Advogado criminalista é encontrado morto após passar mal em rua de Higienópolis, em SP
Essa pessoa chamou o socorro do SAMU, que encaminhou o advogado do Prerrogativas ainda vivo para a Santa Casa de São Paulo, no Centro, onde ele faleceu sem nenhum documento de identificação.
Pacheco ficou 36 horas desaparecido e a identidade dele só foi descoberta por exames de identificação digital do Ricardo Gumbleton Daunt, após a morte na Santa Casa.
A tese agora trabalhada pelos investigadores é que Pacheco tenha batido as costas e a cabeça na queda, ficando desacordado ou com algum sintoma como epilepsia de trauma.
Os policiais ouvidos afirmam que na noite do crime, Pacheco teria saído de um bar e consumido algumas doses de whisky.
Nessa linha de investigação, os policiais descartam – por ora – a possibilidade dele ter sido vítima de intoxicação por metanol, uma vez que, minutos antes do desaparecimento, ele teria brincado no grupo de amigos do Prerrogativas que “teria tomado metanol” naquela noite (veja aqui).
Os investigadores dizem que ainda vão ouvir outras testemunhas para entender todos os passos de Luiz Fernando Pacheco na noite do desaparecimento.
LEIA MAIS:
Quem era Luiz Fernando Pacheco, advogado encontrado morto após passar mal em Higienópolis
Quem era Pacheco
Pacheco, de 51 anos, era sócio-fundador do Grupo Prerrogativas, coletivo de advogados progressistas que atua em São Paulo e outras capitais. O grupo foi fundado em 2014 e se destacou por defender do ex-deputado federal José Genoino (PT) durante o escândalo do mensalão.
Membros do Grupo Prerrogativas afirmaram estar muito abalados com a notícia e descreveram Pacheco como um profissional “solidário, generoso e extremamente inteligente”. O grupo também está prestando apoio à família.
“Com profundo pesar, o Grupo Prerrogativas lamenta o falecimento do advogado Dr. Luiz Fernando Pacheco, um de seus membros fundadores.
Além de integrar a fundação do Prerrô, Pacheco construiu uma carreira marcada pela dedicação e pela ética na defesa do Direito e das prerrogativas dos advogados, tendo atuado em importantes órgãos e instituições, como Conselheiro Estadual da OAB-SP e vice-presidente do Conselho Deliberativo do IDDD.
Neste momento difícil, prestamos nossos mais sinceros sentimentos à família e aos amigos, na certeza que ele segue vivendo no melhor de cada um de nós”, diz nota de pesar do grupo.
Ele deixou dois filhos, que moravam na Austrália e estão vindo ao Brasil.
Luiz Fernando Pacheco é sócio-fundador do Grupo Prerrogativas
Reprodução/OAB-SP
Advogado Luiz Fernando Pacheco atuou no escândalo do mensalão
Reprodução/Prerrogativas
Carreira na advocacia
Com mais de 30 anos de atuação, Pacheco era reconhecido por sua defesa das prerrogativas da advocacia e do direito de defesa. Ele iniciou a carreira em 1994, no escritório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, onde se tornou sócio em 2000.
Em 2013, fundou o escritório Luiz Fernando Pacheco Advogados, especializado em direito penal.
“Perdemos um amigo ímpar e um guerreiro do bem. A Ordem está em luto e o melhor que faremos é seguir honrando a luta pelo direito de defesa e das prerrogativas da advocacia, causas que ele abraçou com paixão e ética”, afirmou o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica.
Na OAB-SP, Pacheco iniciou sua atuação em 2015, como membro da Comissão de Direito Penal e Econômico. Em 2019, passou a integrar a Primeira Turma Julgadora do Conselho de Prerrogativas e se tornou conselheiro estadual. Entre 2021 e 2024, dedicou-se voluntariamente à área penal.
Na gestão de Patricia Vanzolini, em 2022, assumiu a presidência da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB-SP, colaborando para o fortalecimento da advocacia paulista.
Ele também atuava como vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e integrou o Conselho Nacional Antidrogas da Presidência da República.
Luiz Fernando Pacheco com o presidente Lula
Arquivo pessoal
