Ibovespa fecha em alta e retoma os 180 mil pontos com alívio externo e commodities

Ibovespa opera de olho em Haddad, inflação e balanços

O Ibovespa encerrou a sessão desta terça-feira (17) em alta, recuperando o patamar dos 180 mil pontos em um movimento de alívio após as recentes quedas. O avanço foi sustentado principalmente por ações ligadas a commodities e pelo recuo do dólar, em meio a uma melhora pontual no sentimento global de risco.

Ao longo do dia, o índice chegou a subir mais de 1%, superando os 181 mil pontos, acompanhando a recuperação dos mercados internacionais e a desaceleração das tensões envolvendo o petróleo.

Commodities e fluxo externo puxam a bolsa

Entre os principais suportes do pregão estiveram as ações de peso na composição do índice, como Petrobras e Vale, que se beneficiaram da estabilização dos preços do petróleo e do minério de ferro. O movimento favoreceu uma recomposição de posições após a sequência recente de perdas.

Além disso, o fluxo estrangeiro voltou a favorecer mercados emergentes, em um ambiente de menor aversão ao risco no exterior, o que contribuiu para a valorização do real e ajudou ativos locais.

Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, o movimento do mercado reflete um ambiente mais construtivo tanto no exterior quanto no cenário doméstico.

“O Ibovespa sobe em linha com o exterior, em dia de maior apetite ao risco e em retomada de fôlego após as duras quedas da semana anterior.”

“Fica claro que os mercados globais se beneficiam de uma melhora de perspectivas em relação à duração no conflito no Oriente Médio, com declarações do presidente Donald Trump de que as ações americanas durarão, no máximo, ‘mais algumas semanas’, e após a morte de figuras-chave no regime iraniano.”

“Dentre os fatores locais, a expectativa de parte do mercado de que o COPOM cortará a SELIC amanhã colabora também para o otimismo.”

Alívio externo e tecnologia em recuperação

Segundo Perri, o ambiente internacional também contribuiu diretamente para o desempenho positivo dos ativos de risco.

“Já o mercado americano reage às perspectivas de que, de acordo com o presidente Trump, o conflito com o Irã tenha duração menos prolongada, já que ele citou ‘mais algumas semanas’, e pela morte de figuras-chave do regime iraniano, o que corrobora essa expectativa.”

“Indo além, temos também um movimento de recuperação nas ações de tecnologia, após as quedas recentes.”

Câmbio, juros e destaques corporativos

O dia também foi marcado por queda do dólar frente ao real, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana no exterior.

“O dólar cai em linha com a moeda no mercado global, reagindo à melhora de perspectivas em relação à duração no conflito no Oriente Médio”, afirma o economista.

Entre os destaques positivos, Perri aponta:

“Dentre as altas, Petrobras e Prio, em linha com os preços do petróleo em alta, e CSN com expectativa da venda de sua unidade de cimentos, colaborando para sua desalavancagem. Natura por sua vez sobe com os resultados trimestrais que agradaram o mercado.”

Já no campo negativo:

“Nas quedas, Cosan cai devido à crise de alavancagem na Raízen, e Magazine Luiza, em correção após altas expressivas pós-resultados trimestrais.”

Perspectivas

Apesar da recuperação, analistas seguem cautelosos. O comportamento da bolsa brasileira continua altamente sensível ao cenário externo, especialmente à evolução do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo e a inflação global.

Para os próximos dias, investidores devem monitorar a trajetória das commodities, decisões de bancos centrais e novos desdobramentos geopolíticos, fatores que devem seguir ditando o rumo do mercado.

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