Perícia aponta alteração de cena pelo marido em morte de PM

A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anosReprodução/redes sociais

O laudo pericial da morte da policial militar Gisele Alves Santana aponta indícios de alteração da cena do crime e descarta a hipótese de suicídio. As conclusões foram apresentadas nesta quarta-feira (18), após a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima.

A análise técnica também identificou lesões compatíveis com pressão no pescoço e marcas no rosto, indicando possível agressão antes do disparo. Os elementos reforçam a linha investigativa adotada pela Polícia Civil, que passou a tratar o caso como feminicídio.

Segundo o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Oswaldo Nico: 

Os exames foram reforçados por uma exumação do corpo, que confirmou os achados do primeiro laudo do Instituto Médico Legal (IML). A perícia não identificou presença de álcool ou substâncias entorpecentes no organismo da vítima.

Geraldo Neto e Gisele Alves eram casados há dois anosReprodução/Instagram

De acordo com o superintendente da Polícia Técnico-Científica, Claudinei Salomão: 

A investigação também apontou inconsistências na versão apresentada pelo tenente-coronel sobre o momento da morte.

Elementos como a posição da arma, ausência de vestígios compatíveis com suicídio e indícios de limpeza do local foram considerados no pedido de prisão.

O caso, inicialmente tratado como suicídio, teve o rumo alterado após o avanço das perícias e da coleta de provas. O militar é investigado por feminicídio e fraude processual.

O que ocorreu antes da prisão

Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro do apartamento do casal, em fevereiro, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. No primeiro momento, o caso foi registrado como suicídio.

Ainda no dia da ocorrência, socorristas e policiais relataram inconsistências na cena. A arma estava posicionada de forma incomum, não havia vestígios compatíveis com disparo na dinâmica descrita, e o cartucho da bala não foi localizado.

O tenente-coronel afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas equipes identificaram que ele estava seco e que não havia marcas de água no imóvel. Também foi registrado que ele trocou de roupa e apresentava cheiro forte de produto químico.

Dias depois, imagens de câmeras de segurança mostraram o oficial retornando ao apartamento para retirar objetos. Testemunhas relataram ainda que três policiais femininas estiveram no local e realizaram limpeza no imóvel.

Com o avanço das investigações, análise de celulares e depoimentos, a Polícia Civil passou a apontar contradições na versão apresentada pelo militar. A conclusão do inquérito levou ao pedido de prisão preventiva, cumprido nesta quarta-feira (18).

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