
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (19), na Casa Branca, que não enviará tropas ao Irã. Os conflitos no Oriente Médio começaram no dia 28 de fevereiro, com ataques conjuntos com Israel, principalmente a Teerã.
A declaração foi feita a jornalistas, durante uma reunião na Casa Branca com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
“Se eu fosse enviar tropas, certamente não diria a vocês. Mas não vou enviar tropas ao Irã“, afirmou.
Leia também: Diesel sob pressão: guerra, risco de greve e abastecimento
Trump também revelou que pediu ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, para que pare de atacar os campos de energia iranianos.
“Eu disse a ele: ‘Não faça isso’, e ele não fará isso”, garantiu Trump.
Após o ataque de Israel aos campos de gás iranianos, Teerã revidou, entre outras contraofensivas, com ações contra instalações de energia do Qatar.
“Nós nos damos muito bem. Há coordenação, mas às vezes ele (Netanyahu) faz algo que os Estados Unidos desaprovam”, disse Trump aos jornalistas.
Ele foi questionado sobre o fato de não ter avisado o Japão, que é seu aliado, dos ataques ao Irã.
“Não contamos a ninguém porque queríamos que fosse surpresa. Quem entende melhor de surpresa do que o Japão, certo?”, disse Trump.
E olhando para Takaichi, ele acrescentou: “Por que vocês não nos contaram sobre Pearl Harbor, certo?”
A menção ao ataque das forças japonesas a base naval dos Estados Unidos na ilha de Oahu, no Havaí, em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, deixou a primeira-ministra japonesa visivelmente desconfortável, mas ela não comentou.
Sinal de desistência
A declaração de Trump sobre o envio de tropas ao Irã contraria o que vem sendo acenado pelo governo americano; várias vezes, ele declarou considerar uma ofensiva por terra.
Informações divulgadas por agências internacionais davam conta que as Forças Armadas estariam se preparando para uma possível nova fase na ofensiva contra o Irã.
Nesta quarta-feira (18), o Exército israelense atacou o campo de gás de South Pars-North Dome, compartilhado pelo Irã e o Qatar. É a maior reserva de gás conhecida do mundo e fornece quase 70% do gás natural doméstico da República Islâmica.
Em represália, o Irã atacou Ras Lafan, no Catar, o maior complexo industrial e porto de exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) do mundo.
Depois disso, também foram registradas ações iranianas contra duas refinarias de petróleo no Kuwait e contra uma instalação de petróleo no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, utilizado pela Arábia Saudita para exportar petróleo bruto, evitando o Estreito de Hormuz, que continua fechado para os Estados Unidos e seus aliados, como parte da estratégia de retaliação pelos ataques.
