
A chamada Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), é um dos principais sistemas responsáveis pelas chuvas em áreas das regiões Norte e Nordeste do Brasil. E pode ser definida como uma faixa de nuvens que circula o planeta na região próxima à linha do Equador.
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Como essas zonas se formam?

De acordo com o Instituto de Meteorologia (INMET), essa zona se forma a partir do encontro dos ventos alísios, correntes úmidas que sopram do Nordeste (Hemisfério Norte) e do Sudeste (Hemisfério Sul), e se deslocam constantemente em direção à região equatorial.
Quando essa correntes úmidas convergem nos níveis mais baixos da atmosfera, elas dão origem a uma extensa banda de nuvens, que podem ser vistas através das imagens de satélite. Além disso, as altas temperaturas da superfície do mar também influenciam tanto a posição quanto a intensidade das ZCIT.
Deslocamento e impactos da ZCIT

Ao longo do ano, as Zonas de Convergência Intertropicais ficam posicionadas entre, aproximadamente, 14 graus ao Norte e 2 graus ao Sul da linha do Equador.
No fim do verão e início do outono, principalmente entre março e abril, ela avança em direção ao Hemisfério Sul, aumentando a atuação sobre o Norte e o Nordeste do Brasil.
Em alguns anos, esse deslocamento pode começar em fevereiro e se estender até maio, prolongando o período chuvoso nessas regiões.
Entre fevereiro e abril, também pode ocorrer a formação de uma dupla faixa de nuvens sobre o oceano. Nos demais meses, o sistema migra para o Hemisfério Norte em busca de áreas mais quentes, atingindo uma posição mais ao norte entre agosto e setembro.
De modo geral, quanto mais intensa for a atuação da ZCIT, maiores tendem a ser os volumes de chuva, especialmente no norte e no semiárido nordestino.
Nos meses de março e abril, com o sistema mais ao sul e temperaturas elevadas, é comum a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, como as do tipo cumulonimbus, que podem provocar tempestades com raios, rajadas de vento e chuvas intensas.
Em alguns casos, os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros em poucas horas ou se manter elevados ao longo de vários dias ou semanas.
Esse regime de chuvas é fundamental para a agricultura de sequeiro no Nordeste, principalmente para culturas como milho e feijão, que dependem de irrigação constante.
