
O fenômeno El Niño deve voltar nos próximos meses e pode aumentar o risco de chuvas fortes e enchentes no Rio Grande do Sul. No último evento, o pior cenário ocorreu entre o fim de abril e maio de 2024, quando foram registradas enchentes que devastaram o estado.
O aquecimento das águas do Oceano Pacífico, característica do fenômeno, deve ocorrer aos poucos durante o outono, que começou às 11h45 desta sexta-feira (20).
Em anos de El Niño, as enchentes costumam ser mais frequentes no segundo semestre e no começo do ano seguinte. Por isso, o risco maior para o Rio Grande do Sul deve acontecer na segunda metade de 2026 e nos primeiros meses de 2027, principalmente na primavera de 2026 e no outono de 2027.
Esse padrão é parecido com o último fenômeno, que começou em 2023. Naquele ano, a primeira enchente ocorreu em junho, após um ciclone no Litoral Norte. Depois, as chuvas mais fortes vieram em setembro e novembro. O pior cenário aconteceu entre o fim de abril e maio de 2024, quando houve a grande enchente.
Especialistas explicam que o El Niño atual pode começar mais cedo e ter forte intensidade. Por isso, não se descarta a chance de enchentes já no fim do outono, como ocorreu em 2023. Mesmo assim, o maior risco deve ficar para os meses seguintes, especialmente no fim do inverno e na primavera.
O perigo também pode continuar no verão de 2027, com episódios de chuva intensa, e voltar a crescer no outono. Essa época do ano costuma ter alto risco depois do início do El Niño, como já ocorreu em 1941 e em 2024.
Ainda não é possível afirmar se haverá uma enchente como a de 2024. Cada El Niño se comporta de forma diferente. Em anos anteriores, como 1982 a 1983, 1997 a 998 e 2015 a 2016, houve grandes cheias, mas nenhuma com o mesmo impacto registrado em 2024 no Rio Grande do Sul.
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Por que 2024 foi tão grave
Especialistas apontam que a tragédia de 2024 não aconteceu apenas por causa do El Niño. Na época, vários fatores se juntaram e agravaram a situação.
O Oceano Atlântico estava mais quente do que o normal, o que aumentou a quantidade de umidade no ar. Além disso, havia áreas da atmosfera que bloquearam a passagem de sistemas de chuva, fazendo com que essa umidade ficasse concentrada no Sul do Brasil.
Outro fator foi o contraste entre uma massa de ar muito quente sobre o Brasil e uma massa de ar frio forte na Argentina. Esse encontro favoreceu chuvas intensas. Também houve influência de mudanças no clima global, que deixaram a atmosfera mais quente e propensa a eventos extremos.
O que pode acontecer agora
Diante desse cenário, a previsão é de risco muito alto para enchentes nos próximos meses, com possibilidade de novos episódios de grande impacto na Região Sul, incluindo o Rio Grande do Sul.
Mesmo assim, não se pode prever com antecedência se ocorrerá uma tragédia como a de 2024. Isso depende da combinação de vários fatores climáticos, que só podem ser acompanhados mais de perto ao longo do tempo.
