
A Terra registrou em 2025 um dos anos mais quentes já medidos. A temperatura média ficou cerca de 1,43 °C acima do nível pré-industrial, usado como base de comparação. A informação está no novo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta segunda-feira (23).
Os últimos 11 anos, de 2015 a 2025, concentram os maiores registros de temperatura já feitos. De acordo com o órgão, isso se deve por conta dos gases de efeito estufa, que também registram recordes. A entidade diz que essas mudanças já aparecem em áreas concretas, como saúde, produção de alimentos, acesso à água e rotina nas cidades, sobretudo nas regiões mais expostas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, diz que o cenário é preocupante:
Oceano mais quente, gelo menor e mar mais alto
A maior parte desse calor não fica na atmosfera, já que mais de 90% do excesso está nos oceanos. Em 2025, o volume de calor armazenado no mar chegou ao maior nível desde o início das medições, em 1960.
Esse aquecimento ganhou velocidade. Hoje, cresce mais que o dobro do observado até o começo dos anos 2000. O oceano absorve energia e reduz parte do aquecimento direto em terra, mas cria outros novos problemas.
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O nível médio global do mar segue em alta e já está cerca de 11 centímetros acima do registrado em 1993. Em áreas costeiras, isso aumenta a frequência de alagamentos, acelera a erosão e compromete fontes de água doce.
O gelo também perdeu área após o Ártico ficar com um dos menores níveis já medidos, assim como na Islândia e também na América dn Norte. Na Antártida, a extensão foi a terceira menor da série histórica.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o cenário atual já rompe padrões históricos.
Calor extremo já afeta saúde, trabalho e alimentos
O aumento da temperatura tem efeito direto no cotidiano. Em 2025, ondas de calor, secas, enchentes e ciclones deixaram milhares de mortos e atingiram milhões de pessoas. Os prejuízos somam bilhões e se concentram em países com menor capacidade de resposta.
Esses eventos também atingem a produção agrícola. A irregularidade das chuvas e o calor excessivo reduzem colheitas, aumenta os preços e o risco de insegurança alimentar.
A dengue, por exemplo, se espalha com mais facilidade em ambientes mais quentes. Hoje, cerca de metade da população mundial está exposta ao risco da doença. O calor também atinge a área do trabalho. Mais de 1,2 bilhão de pessoas enfrentam condições críticas em algum período do ano, principalmente em atividades ao ar livre.
Guterres também associou o cenário ao uso de combustíveis fósseis.
Segundo a OMM, o documento reúne dados de serviços meteorológicos de vários países e de agências da ONU.
