Cometa recém-descoberto pode brilhar no céu no início de abril

Cometa recém-descoberto pode brilhar no céu no início de abrilFreePik

Um cometa recém-identificado por astrônomos pode protagonizar um espetáculo raro nas próximas semanas. Batizado de C/2026 A1 (MAPS), o objeto celeste tem potencial para se tornar visível a olho nu no início de abril, período próximo à Páscoa, caso consiga sobreviver à sua perigosa aproximação do Sol. As informações são do Space.

A descoberta foi feita em 13 de janeiro no observatório AMACS1, localizado no deserto do Atacama, no Chile. O registro foi realizado por um grupo de quatro astrônomos franceses que integram um programa dedicado à busca de asteroides próximos à Terra, conhecido pela sigla MAPS.

Na época em que foi identificado, o cometa estava a cerca de 308 milhões de quilômetros do Sol e apresentava brilho extremamente fraco, sendo classificado como um objeto de magnitude 18, invisível para a maioria dos telescópios amadores. Desde então, porém, o corpo celeste aumentou seu brilho em aproximadamente 600 vezes, atingindo magnitude 11, o que já permite sua observação com equipamentos mais acessíveis.

‘Cometa da Páscoa’ poderá ser visto da Terra em AbrilESA / NASA / SOHO

A tendência, segundo especialistas, é que o brilho continue aumentando à medida que o cometa se aproxima do Sol. O ponto máximo dessa trajetória ocorrerá em 4 de abril, quando o objeto atingirá o periélio, momento de maior proximidade com a estrela.

Fenômeno raro e imprevisível

O que chama a atenção da comunidade científica é que o C/2026 A1 foi classificado como um “rasante solar” do grupo Kreutz. Cometas desse tipo são conhecidos por passarem extremamente próximos do Sol, muitas vezes resultando em espetáculos luminosos intensos, mas também em sua destruição.

Alguns dos cometas mais brilhantes da história pertencem a esse grupo, como os grandes cometas de 1843 e 1882, além do Ikeya-Seki, observado em 1965. Mais recentemente, o cometa Lovejoy, em 2011, também impressionou ao sobreviver a uma passagem extremamente próxima da superfície solar.

No caso do MAPS, ele deve passar a cerca de 159 mil quilômetros da fotosfera solar, uma distância extremamente pequena em termos astronômicos. Durante esse trajeto, o cometa atravessará a corona, região onde as temperaturas podem ultrapassar 1 milhão de graus Celsius.

Cometa recém-descoberto pode brilhar no céu no início de abrilJoe Rao usou Starry Night Pro 8.0

Por isso, existe a possibilidade real de que o objeto não resista ao calor intenso e às forças gravitacionais do Sol, podendo se desintegrar completamente antes mesmo de se tornar visível a olho nu.

O cometa da Páscoa pode ser visto durante o dia?

Se sobreviver, há estimativas de que o cometa possa atingir magnitude -5, brilho comparável ao do planeta Vênus. Isso levanta a hipótese de que ele seja visível até mesmo durante o dia, muito próximo ao Sol no céu.

No entanto, especialistas alertam para os riscos dessa tentativa. Observar qualquer objeto nas proximidades do Sol pode causar danos graves à visão. Olhar diretamente para a estrela, mesmo por poucos segundos, pode provocar lesões irreversíveis na retina.

Nem óculos escuros, telescópios ou binóculos são suficientes para garantir proteção adequada nessas condições, podendo inclusive aumentar o risco de cegueira.

Forma mais segura de observação

A maneira mais recomendada para acompanhar o fenômeno é por meio de transmissões e imagens captadas por equipamentos científicos. Um dos principais recursos será o Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), que monitora continuamente a atividade solar.

As câmeras do instrumento LASCO C3 devem registrar a passagem do cometa entre os dias 2 e 6 de abril, permitindo que o público acompanhe o evento com segurança pela internet.

Durante o periélio, o cometa deve desaparecer momentaneamente ao passar atrás do Sol, reaparecendo em seguida do outro lado em um movimento rápido, o que promete imagens impressionantes.

Desde seu lançamento, em 1995, o SOHO já ajudou a identificar mais de 5 mil cometas, muitos deles desconhecidos até então. A expectativa agora é que o C/2026 A1 (MAPS) se junte à lista de objetos que marcaram época, seja pelo brilho intenso ou por um desfecho dramático diante do Sol.

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