
Na manhã desta terça-feira (24), a analista de engenharia sênior Ana Carolina Villani (conhecida por todos como Carol) apresentou os bastidores da fábrica de placas da Motiva, localizada em Jundiaí, interior de São Paulo, responsável por abastecer rodovias importantes do estado de São Paulo. A unidade integra o Hub São Paulo e atende concessões como Autoban, Rodoanel, SPVias e a recém-incorporada Sorocabana, concentrando produção, logística e inovação em um único espaço.
A estrutura opera como um centro estratégico dentro da companhia. “É dessa fábrica que saem todas as placas para essas unidades. Temos um caminhão que faz as entregas uma vez por semana”, explicou Ana Carolina.
O modelo centralizado, segundo ela, busca ganhos em eficiência, qualidade e redução de custos, três pilares que motivaram a criação do projeto.

Atualmente, o grupo mantém cinco fábricas de placas no Brasil, mas o movimento é de centralização. Jundiaí é o principal exemplo dessa estratégia, enquanto outras regiões, como o Rio de Janeiro, passam por um processo semelhante. “Estamos fazendo essa movimentação com unidades como Via Lagos e Via Rio, mas ainda em fase de transição”, detalhou.
Tecnologia amplia produção e reduz gargalos
Um dos principais diferenciais da fábrica está na tecnologia empregada. O processo tradicional de sobreposição de películas deu lugar a um sistema de impressão direta, que elevou significativamente a produtividade.
“Inserimos a película branca no equipamento e ela imprime. Antes, tudo era feito por camadas, hoje não há mais relevo”, explicou.
Com isso, a capacidade saltou de 200 m² para 1.300 m² por mês. A automatização também permite operação contínua: as máquinas podem trabalhar durante a noite, já programadas, e no dia seguinte o material está pronto para finalização.
O trabalho passa então para a etapa de recorte, aplicação nas chapas metálicas e proteção com uma película transparente, chamada overlay.

Apesar de os custos entre os métodos antigo e atual serem semelhantes, o ganho operacional faz diferença. “A vantagem está no aumento da produção e na agilidade”, ressaltou.
Mesmo com essa estrutura, há momentos de pico, como implantações de novas rodovias , em que a empresa recorre a terceiros. Foi o caso recente da aquisição da PR Vias, em Londrina, que exigiu uma produção intensa no fim de 2025 e início de 2026.
Segurança viária é foco central
Além da eficiência industrial, a função das placas permanece essencial: garantir segurança aos motoristas. As sinalizações de regulamentação indicam limites e restrições, enquanto as de advertência orientam e antecipam riscos.
Ana Carolina destacou que, embora aplicativos de navegação sejam amplamente utilizados, a sinalização física continua indispensável. “Não podemos contar que todos tenham acesso a essa tecnologia. A placa está ali para apoiar e orientar.”
A durabilidade também é monitorada com rigor. As películas têm garantia de até 12 anos, podendo durar mais dependendo das condições.
Anualmente, a empresa realiza a chamada Monitoração da Retrorrefletância, que mede o quanto da luz dos faróis retorna ao motorista. Caso os índices estejam abaixo do mínimo, a substituição é feita.
Rotina de produção e desafios
A operação em Jundiaí conta com uma equipe enxuta de sete profissionais, que trabalham das 7h às 17h. Em períodos de maior demanda, o sistema de turnos é adotado. Um dos funcionários, Luiz Antônio, acumula a função de motorista e realiza as entregas semanais.
Entre os itens mais produzidos estão placas de advertência e orientação, consideradas as “campeãs de audiência”. Atualmente, a fábrica também está focada na atualização dos marcadores de alinhamento (AMAs e AMPs), após mudanças nas normas do Contran.
O padrão passou de fundo preto com seta amarela para o inverso, exigindo adequação em toda a malha.

Projetos especiais também fazem parte da rotina. Uma das maiores placas já produzidas na unidade ultrapassou 10 metros de comprimento e até 4 metros de altura.
“Era uma placa diagramática e foi uma das maiores que fizemos”, contou o colaborador David Willian. Nesse caso, a montagem é feita em módulos, transportados separadamente até o local de instalação.
Além da produção sob demanda, a fábrica mantém estoque de placas menores, mais suscetíveis a danos por acidentes ou vandalismo. Já as estruturas maiores costumam estar protegidas por defensas metálicas.
No cenário atual, a fábrica de Jundiaí se consolida como peça-chave na operação da Motiva, unindo tecnologia, logística e segurança viária. A tendência, segundo a empresa, é expandir o modelo de centralização para outras regiões, fortalecendo a padronização e a eficiência em toda a rede.
