
O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, ajuizou uma ação civil pública por improbidade administrativa contra um capitão do Corpo de Bombeiros e um empresário, que é parente do militar. Os dois são acusados de estruturar um esquema para desviar e comercializar donativos destinados às vítimas das enchentes de 2024, no Rio Grande do Sul. A ação é fruto de uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apontou que o capitão utilizava o cargo público para acessar os barracões da Defesa Civil Estadual em Curitiba. De lá, ele roubava mercadorias que deveriam seguir para fins humanitários. Materiais como ferramentas, instrumentos musicais, produtos de higiene, roupas e mercadorias foram apreendidos e chegam ao valor de R$ 144 mil.

A promotoria de justiça argumenta que a dupla atuou para desviar donativos e lucrar com isso, prejudicando o patrimônio público e a população, caracterizando improbidade administrativa. As sanções previstas vão desde ressarcimento integral do dano até perda da função pública e perda de direitos políticos. O MP requisitou o pagamento de uma multa por dano moral coletivo no valor de R$ 50 mil.
Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul
As enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul foram o maior desastre climático já registrado na história do estado gaúcho. Chuvas intensas provocaram a elevação de rios, alagamentos em centenas de cidades e deixaram milhares de desabrigados e desalojados. Pelo menos 600 mil gaúchos ficaram fora de casa e a Defesa Civil estadual reportou 183 mortes.
A capital e toda região metropolitana foram atingidas, bem como cidades da Serra, do Vale do Taquari, do Vale do Rio Pardo e da Fronteira Oeste. Diante da tragédia, uma mobilização nacional foi organizada para envio de doações, incluindo alimentos, roupas, produtos de higiene e equipamentos destinados às vítimas.
