
Um levantamento aponta que 142 municípios do Rio Grande do Sul enfrentam desabastecimento de diesel, segundo a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS).
A dificuldade para abastecer veículos e máquinas pode cessar obras e impactar o transporte público. A pesquisa foi enviada para 315 prefeituras e possui 45% de respostas obtidas até a última divulgação, na quinta-feira (19). O Estado tem, ao todo, 497 municípios.
A associação informa que prefeitos estão adotando medidas de contenção e priorizando serviços de saúde. Obras e atividades que dependem de maquinário devem ser suspensas ou restringidas a menores operações e, caso o cenário prossiga, serviços sensíveis podem ser impactados, relata a entidade.
O Governo Federal, na tentativa de conter com o desabastecimento, anunciou uma isenção fiscal de impostos federais e uma ajuda financeira (subvenção) para produtores e importadores de diesel.
Decretos
Tupanciretã e Formigueiro, localizadas no interior do RS, decretaram situação de emergência pelo desabastecimento na última semana. As duas cidades têm economia voltada ao agronegócio e enfrentam dificuldades no escoamento da produção de grãos, o que deve impactar na próxima safra, informa a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustível).
Preço, escassez e logística
A situação envolve preços, possibilidade de falta de diesel e logística. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) esclarece que monitora a situação do desabastecimento e, na também na quinta (19), notificou a Petrobras para que oferte diesel e gasolina aos municípios. A região da Grande Porto Alegre já está abastecida, e os municípios do interior devem ficar durante a semana, diz a entidade.
Entretanto, prefeituras da região metropolitana estão reduzindo o transporte público por medo de que falte combustível. São Leopoldo, por exemplo, havia suspendido as linhas no final de semana dos dias 14 e 15 de março, e nesta segunda (23) reduziu os horários das linhas de ônibus durante a semana também.
De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sulpetro), não existe falta de combustíveis no estado, e sim, uma distribuição limitada de diesel, já que as distribuidoras estão enviando o produto aos postos de forma racionada, podendo dar a sensação de escassez para inflacionar preços.
Nesse sentido, aumentos abusivos em postos foram observados por órgãos de defesa do consumidor desde fevereiro, quando o conflito provocado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã começou. Segundo o último balanço da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), divulgado na sexta (20), a ANP e os Procons já percorreram 25 estados e 1.180 postos, em um universo de 41 mil, fiscalizando e notificando comércios.
Tensão global
Desde o início da guerra provocada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro, o abastecimento de petróleo e de combustíveis se tornou uma preocupação no mundo. Apesar do Brasil produzir localmente, parcela expressiva do óleo é importado.
A questão passa pelo barramento do Estreito de Ormuz, medida tomada pelo Irã para pressionar os Estados Unidos economicamente em meio ao conflito. No dia 23 de março, Trump anunciou um “ultimato” para que Irã reabra a passagem no local. O conflito segue escalando no momento.
