
A perícia realizada no apartamento onde ocorreu a morte da PM Gisele aponta várias divergências com o que o tenente-coronel Geraldo Leite afirmou em seu depoimento para a polícia. Foram analisadas diversas imagens, além de um levantamento 3D de todo o apartamento, com o uso de scanner, o qual fornece medidas precisas dos móveis, portas, janelas e demais objetos que se encontravam no local para a reconstrução do crime.
Em um documento obtido pelo iG, a primeira divergência que os peritos encontraram com o depoimento de Geraldo foi sobre a posição da árvore de natal na sala, e sobre ele ter visto do banheiro Gisele caída na sala. Em depoimento Geraldo afirmou que abriu a porta do banheiro e viu Gisele caída, e que a árvore de natal estaria em cima de sua cama. Porém segundo as investigações, a árvore de natal estava do lado do sofá e Geraldo não conseguiria ver Gisele caída na sala. O único momento em que a árvore de natal foi retirada do local, foi quando os socorristas chegaram e para facilitar o atendimento de Gisele, eles retiraram a árvore.
Fotos feitas pelo sargento Rodrigues, que foi o primeiro a chegar no local, mostram o objeto na sala antes dos socorristas chegarem.

Outra divergência é em relação onde a arma estava. Segundo o Sargento Rodrigues afirmou em seu depoimento que retirou a arma da mão de Gisele para iniciar o socorro. Porém o tenente-coronel Geraldo Leite, em seu relato, disse que a arma estaria no chão da sala. Outro detalhe segundo o laudo da perícia, é que foram encontrados vestígios de sangue a uma altura de 1,54 metros na janela de vidro da sala, desse modo a perícia concluiu que não há probabilidade de Gisele ter atirado contra a própria cabeça, colidindo contra o chão e a arma ainda permanecer na mão.

Ainda de acordo com o documento, a perícia aponta que a dinâmica de formação das manchas de sangue sobre o busto de Gisele são incompatíveis com a posição que o corpo dela foi encontrado. Porém Geraldo informa em seu depoimento para a polícia que ninguém mexeu no corpo dela.
Também foi coletado material da toalha e da bermuda que Geraldo utilizou após tomar o segundo banho no dia do crime. Segundo a laudo, havia manchas que produziram reações químicas ao serem expostas ao reagente químico, tudo levando a crer que havia sangue em ambas as peças.
Provável dinâmica
Em uma possível reconstituição do crime, a perícia aponta que tanto Gisele quanto Geraldo estariam na sala. Gisele estava virada para a porta da área de serviço, quando alguém abordou ela por trás e segurou na região da mandíbula, empurrando a arma de fogo contra a cabeça da vítima.
Durante o movimento para tentar escapar, a pessoa pressiona a região da mandíbula e dispara contra ela.

No momento em que Gisele, desfalece, para tentar suportar o peso da vítima, a pessoa colocou-a no chão e a arma foi colocada em sua mão direita.
Versão apresentada pelos policiais
A versão apresentada por Rodrigo Almeida Rodrigues, Rosiney Pinto Teodoro, Eduardo André Forti Alves e Rômulo Henrique de Andrade Oliveira foi de que eles chegaram para prestar socorro à vítima e Neto estava sentado no corredor falando ao celular, ele então aponta para o apartamento e permanece no corredor.
Rodrigues ao entrar no apartamento pega seu celular e registra como o corpo está posicionado. Rodrigues tira a arma da mão de Gisele e a coloca no hack. Em seguida, junto com Eduardo Forti e Rômulo eles puxam o corpo de Gisele para ter mais espaço para iniciar os atendimentos.
Gisele começa a receber os primeiros atendimentos. André sai do apartamento em busca de oxigênio e outro bombeiro assume seu lugar. Após retornar e fazer a ligação do oxigênio, ele retira a árvore de natal para que Rômulo continuasse a reanimação cardiopulmonar.

Rodrigues vai então falar com Geraldo e pergunta o que tinha acontecido e onde estava sua arma.
Geraldo aponta respondendo que a arma estava na mão de Gisele.
Após os procedimentos, eles pegam a arma para entregar para a perícia.
Versão Geraldo Leite
Geraldo afirmou que naquele dia ele acordou, realizou suas orações matinais, arrumou a cama e foi até a suíte, onde Gisele estava, pois eles estavam em processo de separação. Ele bateu na porta, após não ter nenhuma resposta, viu que a maçaneta estava destrancada e abriu a porta.
Ele viu Gisele deitada na cama mexendo no celular. Ele desejou bom dia, e ela disse a ele que é melhor se separarem, ela então soltou o celular e foi até ele. Em seguida o empurrou e disse “some daqui”, e voltou para o quarto batendo a porta.
Geraldo, usando bermuda e chinelo, segue até a área de serviço onde pega uma toalha cinza e vai para o banheiro, trancou a porta. Após alguns instantes escuta um barulho muito forte, não sabendo identificar. Ele sai do banheiro, com o chuveiro ligado, não abre totalmente a porta e vê Gisele caída no chão.
Ele veste a bermuda, pega seu celular que estava na pia do banheiro e vai até a sala. Ele então vê Gisele caída e uma poça de sangue no chão. Ele não se aproxima do corpo. Ele destranca a saída do apartamento e permanece entre o corredor e a porta e começa a fazer ligações. Após retornar para o apartamento, ele vê o corpo de Gisele tremendo. Porém não presta os primeiros socorros por entender que a lesão era grave e o que podia fazer era acionar o socorro.

Ele começa a passar mal e vai novamente para o corredor, momento em que vê os socorristas chegando e pede para que eles socorrem sua esposa que estava morrendo. Neto vê três ou quatro bombeiros e é conduzido para outra região do corredor, pois estava passando muito mal. Em seguida, ele é informado que o estado de sua esposa era crítico.
Instantes depois, Gisele é conduzida para o hospital por um helicóptero. Ele observa vários policiais entrando no apartamento. Neste momento, vê duas moças que perguntam se ele estava bem. Uma delas mede sua pressão, e observa que estava alta, então ela fornece um remédio.
Alguns minutos depois, perguntam se ele consegue ficar em pé e sugere que tome um banho.
Geraldo é conduzido até o apartamento, pega uma troca de roupas e um par de tênis no quarto e segue para o banheiro para tomar outro banho.








