Irã e Estados Unidos endurecem posições na guerra enquanto Teerã continua com controle do Estreito de Ormuz


Infográfico mostra Estreito de Ormuz
TV Globo/Reprodução
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo afirmou que o Irã está cobrando taxas para que navios atravessem o Estreito de Ormuz com segurança. Ele deu a declaração durante uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira (26), em Riad, na Arábia Saudita.
Jasem Mohamed al-Budaiwi é o primeiro alto funcionário a acusar o Irã de cobrar pela passagem na região, a estreita saída do Golfo Pérsico por onde já passou cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.
Al-Budaiwi lidera o bloco formado por seis países árabes do Golfo: Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Enquanto isso, Irã e Estados Unidos endureceram suas posições na guerra, enquanto uma tentativa diplomática de cessar-fogo dá sinais de enfraquecimento.
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Teerã avançou para formalizar seu controle sobre o Estreito de Ormuz, enquanto Washington se preparava para a chegada de tropas americanas à região, que poderiam ser usadas em solo iraniano.
Sirenes soaram em Israel alertando para ataques de mísseis iranianos. Nos Emirados Árabes Unidos, duas pessoas morreram e três ficaram feridas após a queda de estilhaços de uma interceptação de míssil sobre Abu Dhabi.
O secretário-geral de um bloco de países árabes do Golfo afirmou que o Irã está cobrando taxas para que navios atravessem o Estreito de Ormuz com segurança. Especialistas do setor dizem que algumas embarcações estariam pagando em yuan chinês para passar pela rota, por onde circulam cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo em tempos de paz.
Enquanto isso, um grupo de ataque liderado pelo navio anfíbio USS Tripoli se aproximou do Oriente Médio com cerca de 2.500 fuzileiros navais. Além disso, pelo menos 1.000 paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada foram enviados para a região.
A movimentação de tropas não garante que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vá usar força militar para pressionar o Irã a reabrir o estreito e interromper ataques contra países árabes do Golfo.
Trump já havia deslocado uma grande força para o Caribe antes de militares americanos capturarem o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro em janeiro. No cenário atual, os EUA são vistos como focados na possibilidade de tomar o terminal petrolífero iraniano na ilha de Kharg ou outras áreas próximas ao estreito.
O almirante da Marinha dos EUA Brad Cooper, que comanda as forças americanas na região, disse que mais de 10 mil alvos foram atingidos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, em operações conjuntas com Israel. Segundo ele, 92% dos maiores navios do Irã foram destruídos, assim como mais de dois terços das instalações de produção de mísseis, drones e equipamentos navais do país.
“Ainda não terminamos”, afirmou Cooper, em mensagem de vídeo. “Estamos no caminho para eliminar completamente o aparato militar mais amplo do Irã.”
Irã é visto como operando o Estreito de Ormuz como um ‘pedágio de fato’
Com controle rígido sobre o tráfego no Estreito de Ormuz — que liga o Golfo Pérsico ao oceano aberto — o Irã tem bloqueado embarcações que considera ligadas aos esforços de guerra dos EUA e de Israel, permitindo a passagem limitada de outras.
Jasem Mohamed al-Budaiwi, do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), acusou o Irã de cobrar pela travessia segura — sendo o primeiro alto funcionário a fazer essa denúncia. O GCC reúne seis países: Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
As agências iranianas Fars e Tasnim, próximas à Guarda Revolucionária, citaram o parlamentar Mohammadreza Rezaei Kouchi afirmando que o Parlamento trabalha para formalizar a cobrança de taxas de passagem.
“Nós garantimos a segurança, e é natural que navios e petroleiros paguem essas taxas”, disse.
A consultoria Lloyd’s List Intelligence classificou o modelo como um “regime de pedágio de fato”.
Segundo a empresa, as embarcações precisam fornecer manifestos de carga, dados da tripulação e destino às forças iranianas para análise de sanções, verificação de alinhamento de cargas — atualmente priorizando petróleo — e uma espécie de triagem geopolítica.
“Nem todos os navios estão pagando uma taxa direta, mas pelo menos dois já pagaram, com valores quitados em yuan”, informou a Lloyd’s List, em referência à moeda chinesa.
O controle iraniano sobre o estreito e os ataques contínuos à infraestrutura energética do Golfo elevaram fortemente os preços do petróleo e aumentaram temores de uma crise global de energia. O barril do tipo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 104 na manhã de quinta-feira, alta de mais de 40% desde o início da guerra.
“Para deixar absolutamente claro: esta guerra é uma catástrofe para as economias do mundo”, afirmou o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, durante visita à Austrália.
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