Relatório de Política Monetária indica cenário desafiador para queda da Selic

BANCO CENTRAL DO BRASIL, FOCUS

O Relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (26) traz uma avaliação atualizada sobre inflação, juros, câmbio e contas externas, indicando que a política monetária deve permanecer restritiva por mais tempo para garantir a convergência dos preços à meta.

O documento mostra que, apesar de leve melhora nas expectativas inflacionárias, o ambiente segue marcado por incertezas externas e riscos fiscais domésticos.

Relatório de Política Monetária: expectativas de inflação e trajetória da Selic

De acordo com o Relatório de Política Monetária, a mediana das expectativas de inflação para 2026 recuou para 4,10%, enquanto a projeção para 2027 permanece em 3,8%, ainda acima da meta perseguida pela autoridade monetária.

Além disso, a trajetória da taxa Selic real ex-ante ficou mais elevada ao longo do horizonte analisado. O juro real atingiu pico de 9,6% no terceiro trimestre de 2025 e deve recuar gradualmente, encerrando o período projetado em cerca de 6,2%.

Projeções para a taxa Selic

Ano Projeção Selic (final do ano)
2026 12,25%
2027 10,50%
2028 10,00%

Dados do Relatório de Política Monetária indicam manutenção de juros elevados por um período prolongado.

Câmbio e ambiente externo aumentam volatilidade

O relatório destaca que o real apresentou apreciação recente, mas segue oscilando no curto prazo devido ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à evolução das condições financeiras globais. No cenário de referência, a taxa de câmbio parte de R$ 5,20 por dólar.

Entre os fatores monitorados pelo Banco Central estão:

  • conflito no Oriente Médio;
  • comportamento das commodities;
  • percepção sobre o cenário fiscal brasileiro;
  • diferencial de juros em relação ao exterior.

Contas externas: projeção de déficit menor

O Relatório de Política Monetária revisou para baixo a projeção de déficit em transações correntes para 2026, estimando saldo negativo de US$ 58 bilhões (2,2% do PIB).

O fluxo líquido de investimento direto no país foi mantido em US$ 70 bilhões (2,7% do PIB).

Segundo o BC, a melhora esperada decorre principalmente:

  • aumento projetado das exportações;
  • crescimento mais moderado das importações;
  • melhora do saldo comercial.

Fatores que explicaram a inflação acima da meta

A decomposição apresentada no relatório indica que a inflação de 2025 foi influenciada principalmente por:

Pressões altistas:

  • inércia inflacionária;
  • expectativas de inflação;
  • hiato do produto.

Fatores que atuaram no sentido contrário:

  • inflação importada;
  • choques favoráveis em alimentos;
  • comportamento dos bens industriais.

O Relatório de Política Monetária reforça que o processo de desinflação ainda exige uma política monetária cautelosa. O ambiente internacional incerto e os riscos fiscais seguem como elementos relevantes para a formação das expectativas e para a dinâmica dos ativos domésticos.

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