Morte da PM Gisele: veja como foi a reprodução simulada da morte

Reconstituição do caso da PM GiseleArquivo Investigação Criminal

Após contradições no depoimento do tenente-coronel Geraldo Leite e divergências com os laudos da perícia, um documento obtido pelo iG mostra, em detalhes, como foi feita uma simulação dos fatos para auxiliar nas investigações sobre como a soldado Gisele teria morrido.

O procedimento contou com a participação dos socorristas que entraram no apartamento e atenderam à ocorrência, além de considerar a versão apresentada pelo tenente-coronel.

Simulação da versão dos socorristasArquivo Investigação Criminal

Versão dos socorristas

Reprodução da versão do sargento Rodrigo Almeida Rodrigues e Rômulo Henrique Andrade Oliveira, junto com PM Bandeira PM Eduardo André Forti e Rosiney Pinto.

Ao chegarem no andar do apartamento, eles encontraram Geraldo sentado sobre o chão do corredor, de frente ao apartamento com suas mãos no celular no qual estava em ligação. Três socorristas passam por ele e entram no apartamento. 

Ao entrar no apartamento, o sargento Rodrigues, ao visualizar a cena, um corpo feminino no chão da sala, com uma toalha em volta, e uma pistola na mão direita, imobilizada sobre a coxa, pediu que os colegas aguardassem um instante para que pudesse registrar fotograficamente o que havia encontrado.

Ele fez três fotos da posição do corpo, enquanto seus colegas se preparam para iniciar os primeiros socorros. 

Depois, o sargento Rodrigues passa para o outro lado do corpo e pega a arma da mão da vítima, sem encontrar resistência alguma.

Ele a deposita sobre o rack, à sua esquerda, enquanto o cabo Forti se posiciona à direita do corpo e o cabo Rômulo, à esquerda, para iniciarem as manobras de primeiros socorros. Forti e Rômulo, com o auxílio de Rodrigues, puxam o corpo da vítima para cima para obter mais espaço e assim facilitar as manobras de primeiros socorros.  

Rodrigues pega a pistola, retira o carregador e guarda até de um oficial.  

Rômulo, enquanto isso, realiza as manobras de reanimação cardiopulmonar na vítima. Um bombeiro, o qual não foi identificado, assume o lugar do cabo Forti, enquanto ele vai em busca de oxigênio. 

Forti faz a ligação do oxigênio e em seguida, retira a árvore de Natal, que se encontrava ao lado do sofá, para liberar espaço para que Rômulo continuasse as massagens cardíacas. Outro policial, também não identificado, coloca a árvore sobre a cama do quarto.  

Enquanto isso, o cabo Teo entra o imóvel e coloca o desfibrilador na vítima. O sargento Rodrigues se retira da sala, e se dirige à Neto. E pergunta o que havia acontecido e onde estava sua arma. Neto responde: “A minha arma é a que estava na mão dela” (apontando para Gisele). 

Rodrigues permanece ao entorno auxiliando os demais socorristas.

Neste instante chega o oficial do policiamento e seu auxiliar. Rodrigues mostra a arma para o tenente, que pede para que seu auxiliar a recolha utilizando luvas.

O auxiliar veste as luvas e pega a arma. Em seguida, o médico Minami, médico do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), chega e assume o resgate.

Posteriormente chega o helicóptero e após a estabilização de Gisele, ela é levada para o hospital.

Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal

Versão tenente-coronel Geraldo Leite

Simulação feita de acordo com o relato do tenente-coronel.

Geraldo acorda, arruma a cama e realiza suas orações matinais. Feito isso, ele sai de seu quarto e vai até a suíte de Gisele, que estava com a porta fechada, ele bate na porta e ao verificar que estava destrancada, ele abre e visualiza Gisele deitada sobre a cama, mexendo no celular.

Neto então diz a Gisele: 

Gisele então solta o celular, se levanta e vai até Geraldo.

Ela diz: “Já que você quer se separar, some daqui!” e empurra Geraldo para trás, afastando-o de seu quarto.

Gisele bate com força a porta do quarto, fazendo com que Geraldo ficasse para fora, no corredor.

Geraldo vai à varanda, passando pela cozinha, para pegar sua toalha, que estava estendida no varal, e em seguida vai tomar banho

Geraldo vai ao banheiro. Ele vestia bermuda, cueca e chinelos nos pés.

Ele entra no banheiro, tranca a porta por dentro, pendura a toalha sobre o box, tira suas roupas. Então liga o chuveiro. Ele entra no box, permanece parado, refletindo a respeito de sua separação.

Geraldo então ouve um barulho muito forte, que não sabia identificar, pois estava com o chuveiro ligado. Ele imagina que Gisele teria batido alguma porta da residência ou que até mesmo poderia ter batido na porta do banheiro. Ele abre o box, e permanecendo com o chuveiro ligado, abre a porta do banheiro. Ele se projeta parcialmente para fora do box, para verificar o barulho.

Com a porta do banheiro semiaberta, ele vê a cabeça de Gisele sobre o chão da sala, entre o sofá e o rack, e na região da cabeça, uma poça de sangue. A árvore de Natal não se encontrava mais sobre o chão, ao lado do sofá. Geraldo não sabe dizer em que momento e de que forma ela foi retirada da sala e colocada em cima de sua cama, em seu quarto. 

Diante da situação, ele veste sua bermuda, pega o celular que estava sobre a pia do banheiro e sai do cômodo.

Ele se dirige para perto do corpo de Gisele. Ele vê uma arma caída, próxima a mão direita dela, não empunhada, e muito sangue ao redor da cabeça. Geraldo não mexe no corpo dela pois acredita que devido ao calibre da arma, e como o volume de sangue ao redor da cabeça, somado ao fato dela não conseguir falar, não havia nada que pudesse fazer para socorrê-la. 

Ele dirige-se para a porta de saída do apartamento. Na porta ele liga para emergência. Em todas as ligações, narra que sua esposa dera um tiro contra sua própria cabeça e iria morrer. Ele pede resgate e apoio do helicóptero.

Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoArquivo Investigação Criminal

Depois de ter acionado socorro, ele liga para o coronel Bueno, seu comandante, em seguida, para um amigo. Ele diz a ambos: “Minha esposa se matou, ela deu um tiro na cabeça.”

Em algum momento, ele se aproxima do corpo e visualiza Gisele tremendo. Novamente, ele não presta primeiros socorros, pois havia muito sangue em torno da cabeça, ele sabia que se tratava de uma lesão grave e que não havia nada que pudesse fazer a não ser acionar o socorro.

Ele, em algum momento, se senta no chão do corredor, em frente ao seu apartamento, para se resguardar de eventuais incriminações contra si. Ele diz não ter certeza se estava sentado ou em pé quando os bombeiros chegaram.

Geraldo vê os bombeiros chegando pelo elevador e ele diz: “Socorre minha esposa. Ela está morrendo.”

Ele vê cerca de três a quatro bombeiros. Um segurava uma prancha amarela. Os bombeiros se dirigem para dentro do apartamento. Um dos socorristas posiciona tal prancha ao lado do corpo de Gisele e outros dois a colocam sobre a prancha. Na sequência eles iniciam manobras de ressuscitação utilizando aparelhos de oxigênio e desfibrilador. Havia três socorristas ao redor de Gisele, de maneira que ele não conseguia enxergá-la. Depois da chegada dos bombeiros, chegam os socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que imediatamente se dirigem para dentro do apartamento. 

Logo em seguida, chegaram em torno de 20 a 30 policiais militares. Ele se recorda que alguém o levantou do chão. Ele sentia seu braço esquerdo formigando. Ele se senta novamente, pois estava passando muito mal. E o tenente pergunta a ele: “O senhor está bem”. E ele responde: “Não, estou péssimo. Estou passando mal. Minha esposa acabou de dar um tiro na cabeça.” O tenente questiona o que ele estava sentido. E ele narra estar com o braço adormecido e falta de ar. O tenente faz mais algumas perguntas e tenta acalmá-lo.

O médico do Samu, Minami, após tomar conhecimento do estado de Gisele, vai até Geraldo e diz que Gisele ainda apresentava sinais de vida, apesar de seu estado crítico. Ele pede ao médico para que ele faça o possível para salvar sua esposa. 

Após ter estabilizado Gisele, os socorristas levaram ela até o helicóptero.

Após a saída dos socorristas, com Gisele, os policiais que se encontravam no hall, entraram no apartamento.  

Chegam “duas moças à paisana”, não sabendo dizer se era da polícia civil ou da corregedoria. Ambas se agacham na frente de Neto e o perguntam: “O senhor está bem? O senhor está passando mal?”. Neto responde: “Tô”. Uma dessas moças então mede a pressão arterial de seu punho. Ele diz que sua pressão estava alta, cerca de 20/18 ou 20/15, “algo assim”.

A moça que mediu a pressão de Neto diz: “Sua pressão está muito alta, o senhor pode ter um AVC ou um infarto”. Ela o fornece um medicamento e pede para que Neto o coloque sob a língua. Eles conversam por mais um momento e ela o pergunta: “O senhor consegue ficar em pé?”. Neto diz: “Não, tô passando mal”. Uma das moças diz: “A pressão do senhor está muito alta. Se o senhor tomar um banho quente, vai causar vasodilatação, seu sangue vai circular melhor, vai ajudar a baixar sua pressão bem rápido.” Neto diz ter conhecimento de tal informação. Em seguida, dois policiais fardados ajudaram Neto a levantar e o conduziram até seu apartamento.

Neste momento, o Coronel Gonzaga, comandante do CPA, juntou-se a eles. Chega o amigo de Geraldo, Marco Antônio.  

Quando Geraldo entra no apartamento, diz não acreditar no que estava vendo. Diz que havia muitos policiais no interior, o que prejudicaria a custódia de provas. Ele vê policiais na cozinha mexendo na geladeira e cerca de dois a três policiais dentro de cada um dos cômodos da residência.

Ele entra no quarto, pega rapidamente uma muda de roupa e vai até o banheiro. Em seguida, liga o chuveiro, pega uma toalha de mão que estava na pia do banheiro. Ele toma banho, se troca e sai do apartamento.

Quando ele sai, havia duas psicólogas o aguardando do lado de fora, além do coronel Gonzaga. Além de cerca de 10 policiais no corredor. Geraldo segue para o hospital onde encaminharam sua esposa, na companhia das psicólogas e em uma viatura descaracterizada. 

Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal
Simulação na versão do tenente-coronel GeraldoFoto: Arquivo Investigação Criminal

Alcance da arma

Após a simulação, foi pedido ao tenente-coronel Geraldo que informasse onde guardava sua pistola. A demonstração foi fotografada.

Simulação da altura da armaArquivo Investigação Criminal

Geraldo tem 1,81 m de altura. O guarda-roupa possui 2,04 m de altura. A arma ficava apoiada a 1,86 m do chão. Foi elaborada uma imagem que corresponde à altura de Gisele, de 1,65 m. O avatar que a representa foi posicionado nas pontas dos pés, permitindo um alcance máximo de 1,73m.

Simulação da altura da armaArquivo Investigação Criminal

Toalha usada com Geraldo

Toalha periciadaArquivo Investigação Criminal

A toalha de rosto de foi utilizada por Geraldo para tomar banho após Gisele ser levada para o hospital, foi coletada e periciada para ver se continha sangue.

E após os procedimentos, foi revelada reações quimioluminescência positivas, revelando as manchas difusas em ambos os lados da toalha. 

Toalha periciadaArquivo Investigação Criminal
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