Juros do cartão de crédito disparam para 435% ao ano, mostra Banco Central

JUROS DO CARTÃO DE CRÉDITO

Os juros do cartão de crédito voltaram a subir no Brasil. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (30), a taxa média cobrada nas operações de crédito rotativo para pessoas físicas alcançou 435,88% ao ano em fevereiro.

O crédito rotativo é acionado quando o cliente não consegue pagar o valor integral da fatura do cartão na data de vencimento. Nesse caso, o saldo restante passa a ser financiado pela instituição financeira, com incidência de juros elevados.

Além do avanço das taxas, o relatório também mostrou que a inadimplência nessa modalidade atingiu 63,5% no período, indicando dificuldades crescentes das famílias para honrar esse tipo de dívida.

Juros do cartão de crédito no radar: Selic elevada influencia custo do crédito

O aumento dos juros do cartão de crédito ocorre em um contexto de política monetária restritiva no Brasil. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, patamar considerado elevado e que influencia diretamente o custo das linhas de crédito no país.

Mesmo com parte do mercado projetando recuo da taxa básica ao longo do ano, economistas avaliam que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve adotar uma postura mais cautelosa nos próximos encontros. Essa sinalização já aparece na ata da última reunião do Banco Central, que indicou preocupação com o cenário inflacionário.

Congresso aprovou limite para dívidas no rotativo

Diante das taxas historicamente elevadas, o Congresso aprovou em 2024 uma medida para limitar o endividamento no crédito rotativo.

Pela regra, o valor total da dívida no cartão não pode ultrapassar o valor original do débito. Na prática, isso significa que, após determinado período, a dívida deve ser renegociada ou migrada para outra modalidade de crédito com condições diferentes.

A medida buscou reduzir o impacto do rotativo sobre o endividamento das famílias, modalidade considerada uma das mais caras do sistema financeiro.

Dívidas pressionam orçamento das famílias

Os dados do Banco Central também mostram que o peso das dívidas no orçamento das famílias segue elevado.

O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a 29,33% em janeiro, o maior nível desde o início da série histórica do BC, iniciada em 2005.

Esse indicador mede quanto da renda mensal das famílias é destinada ao pagamento de financiamentos e outras obrigações financeiras, incluindo cartão de crédito, crédito pessoal e financiamentos.

Com juros ainda elevados e renda pressionada, analistas apontam que o comportamento do crédito ao consumidor continuará no radar do mercado e das autoridades monetárias ao longo do ano.

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