Racha, sucessão ou manutenção: a disputa pela Presidência em 2026

Urna eletrônicaTânia Rêgo/Agência Brasil

A disputa pela Presidência da República em 2026 já mobiliza partidos e lideranças em todo o país. O cenário ganhou novas atualizações nesta segunda-feira (30), com o PSD definindo o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), como pré-candidato após a saída do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), do páreo, decisão que gerou insatisfação dentro da legenda, especialmente por parte de Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul.

O principal embate segue entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como principal nome da direita.

Levantamentos recentes como a pesquisa do Datafolha indicam cenário acirrado, com Lula à frente no primeiro turno, mas empate técnico entre os dois em simulações de segundo turno.

Racha interno no PSD

Ronaldo Caiado no jantar da CONIBGabriel Barros / Portal iG

No PSD, o governador do Paraná, Ratinho Júnior, anunciou em março que não será candidato e que permanecerá no cargo até o fim do mandato. Em nota, informou que a decisão foi tomada “após profunda reflexão com sua família”.

Com isso, o partido avançou na definição de um nome e escolheu o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), como pré-candidato, nesta segunda-feira (30).

Caiado (PSD) se filiou ao PSD em janeiro deste ano, em anúncio foi feito no dia 27, poucas horas após ele confirmar sua saída do União Brasil. A mudança aconteceu enquanto o partido analisava quais nomes poderiam disputar a Presidência.

Na época, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (PSD), afirmou que a decisão sobre o candidato seria tomada até o início de abril, com base em pesquisas e conversas internas, em um processo que também envolvia os governadores Eduardo Leite (PSD) e Ratinho Júnior (PSD).

A decisão desta segunda-feira gerou reação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).

Tarcísio fora da corrida

Tarcísio comentou cenário eleitoral após visita ao ex-presidente, Jair BolsonaroLula Marques/Agência Brasil

As articulações se intensificaram ainda antes das convenções partidárias. Em janeiro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) já está definida dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O próprio Tarcísio (Republicanos) descartou entrar na disputa, afirmando que pretende seguir à frente do governo paulista. A decisão contribuiu para fortalecer o nome de Flávio (PL) como representante no campo da direita.

Manutenção

Em meio a um cenário de queda nas pesquisas de opinião e aumento da pressão política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado agendas públicas, viagens pelo país e anúncios de medidas econômicas e sociais na tentativa de recuperar popularidade.

O governo também busca melhorar a comunicação de suas ações e reforçar alianças no Congresso, diante de sinais de desgaste em temas como economia, segurança e relação com o Legislativo. Auxiliares avaliam que os próximos meses serão decisivos para reverter a tendência negativa e reposicionar o presidente com vistas à disputa de 2026

Jair passa a faixa para Flávio

Flávio Bolsonaro é o filho mais velho do ex-presidente Jair BolsonaroReprodução/redes sociais

O senador Flávio Bolsonaro (PL) se tornou pré-candidato à Presidência com o apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está impedido de disputar as eleições após decisões da Justiça.

Esse movimento começou em 05 de dezembro de 2025, quando Flávio anunciou nas redes sociais que foi escolhido pelo pai para concorrer em 2026. Poucos dias depois, em 25 de dezembro, Jair Bolsonaro reforçou essa escolha em uma carta divulgada antes de passar por uma cirurgia.

A indicação também foi confirmada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto (PL), que disse que o partido seguirá unido em torno da pré-candidatura de Flávio (PL).

Mesmo assim, Flávio chegou a dizer, em 07 de dezembro, que poderia desistir da candidatura. Segundo ele, haveria condições para isso, mas sem explicar quais seriam. A fala aconteceu em meio a discussões no Congresso, como a proposta de anistia, e levantou dúvidas sobre se a candidatura será mantida até o fim.

Com a saída de outros nomes da disputa, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio ganhou mais espaço e se tornou o principal nome da direita na corrida presidencial.

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Outros nomes cotados

Além desses, outros nomes aparecem como possíveis candidatos à Presidência em pesquisas eleitorais e após anúncios de partidos. Entre eles estão o governador Romeu Zema (Novo), o ex-deputado Aldo Rebelo (DC) e o empresário Renan Santos (Missão).

Cronograma das eleições de 2026

As eleições gerais estão marcadas para o dia 04 de outubro de 2026, quando mais de 155 milhões de eleitores devem ir às urnas para escolher presidente, governadores, senadores e deputados.

O prazo para tirar ou regularizar o título de eleitor termina em 06 de maio. Já as convenções partidárias, que oficializam as candidaturas, ocorrerão entre 20 de julho e 05 de agosto.

Os partidos têm até 15 de agosto para registrar os candidatos na Justiça Eleitoral. A propaganda eleitoral começa no dia 16 de agosto.

De acordo com a legislação, o voto é obrigatório para pessoas entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 e analfabetos.

As pesquisas eleitorais já podem ser divulgadas desde 01 de janeiro, desde que registradas previamente na Justiça Eleitoral.

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