
Uma publicação nas redes sociais envolvendo a marca O Boticário gerou forte repercussão negativa e motivou uma manifestação oficial da Associação das Vítimas do Césio-137. Em nota divulgada na segunda-feira (30), a entidade criticou duramente um comentário feito pelo perfil da empresa, considerado ofensivo às vítimas de um dos episódios mais graves da história brasileira.
A controvérsia começou após uma usuária compartilhar uma foto de um suco em pó de edição limitada, inspirado no personagem Stitch, que possui coloração azul. Na legenda, ela comentou em tom descontraído sobre a compra do produto para testar se a bebida realmente ficaria com a tonalidade anunciada após o preparo.
A postagem ganhou visibilidade e chamou a atenção do perfil oficial da marca, que respondeu com uma frase em tom de brincadeira mencionando o estado de Goiás.
A mensagem, no entanto, foi interpretada por muitos usuários como uma referência indireta ao Acidente com Césio-137 em Goiânia, ocorrido em 1987, quando uma cápsula contendo material radioativo provocou contaminação em diversas pessoas.

Diante da repercussão, o comentário foi removido, mas o episódio já havia gerado críticas nas redes sociais. Internautas apontaram falta de sensibilidade ao associar, ainda que de forma implícita, um acontecimento trágico a uma situação banal.
Em resposta, a associação que representa as vítimas divulgou uma nota assinada pelo presidente Marcelo Santos Neves. No texto, a entidade afirma repudiar com firmeza a manifestação, classificando-a como desrespeitosa e discriminatória.
A nota também destaca que os afetados pelo acidente ainda enfrentam consequências e preconceitos até hoje. Segundo a associação, é fundamental que episódios históricos marcados por sofrimento humano sejam tratados com responsabilidade e respeito, sobretudo por empresas com grande alcance público.
Por fim, a entidade reforçou a necessidade de maior cautela na comunicação institucional e cobrou que situações semelhantes não voltem a ocorrer, ressaltando que a memória das vítimas deve ser preservada com dignidade.
O iG procurou o Grupo O Boticário, mas até o momento não teve respostas.
