Civilização inca pode ter criado “computador” milenar

Civilização inca pode ter criado “computador” milenarnational endowment for the humanities

Antes mesmo do surgimento dos celulares, planilhas digitais ou até dos alfabetos como conhecemos hoje, o Império Inca já utilizava um sistema sofisticado de gestão de informações. Conhecido como quipu, o método se baseava em cordões com nós e cores diferentes para registrar dados em um território vasto. Durante muito tempo, acreditou-se que sua função era apenas numérica. As informações são do Times of India.

No entanto, uma pesquisa aceita em fevereiro de 2026 sugere que o quipu pode ter sido muito mais do que uma ferramenta de contagem.

Para alguns cientistas, o sistema funcionava como uma forma estruturada de organizar e processar informações, algo comparável, em certa medida, a um sistema computacional primitivo. A hipótese tem gerado debates, curiosidade e também ceticismo, mas reforça o grau de complexidade de uma civilização que não possuía escrita formal.

Civilização inca pode ter criado “computador” milenarImagem gerada por IA

Estrutura dos nós e registros incas

Por anos, estudiosos como Marcia Ascher e Robert Ascher defenderam que os nós do quipu representavam um sistema numérico baseado em decimais. Cada posição e tipo de nó carregava um significado específico dentro de uma lógica organizada.

Outros pesquisadores, como Sabine Hyland, vão além e sugerem que o sistema também poderia codificar elementos linguísticos. Estudos indicam a existência de até 95 possíveis marcadores, capazes de representar sons ou conceitos. Isso sugere que o quipu operava em múltiplas camadas, semelhante à forma como sistemas modernos categorizam dados em diferentes níveis.

Exemplo de quiopuReprodução TreXprience

Mais do que elementos isolados, o funcionamento do quipu depende das relações entre seus componentes. Essa complexidade faz com que o sistema se aproxime menos de um simples registro contábil e mais de uma estrutura organizada de informação.

Semelhança com estruturas usadas na computação

Uma abordagem diferente veio do cientista da computação Richard Dosselmann, que analisou o quipu sob a ótica das estruturas de dados. Ao lado de Edward Doolittle e Vatika Tayal, ele propôs modelar o sistema em vez de apenas decifrá-lo.

Os cordões do quipu partem de uma linha principal e se ramificam em níveis hierárquicos, uma lógica semelhante às estruturas em árvore utilizadas na ciência da computação. A equipe traduziu essas características para linguagens como C++ e Python, criando até um formato de arquivo inspirado no modelo inca.

Python, C e C++ são as linguagens de programação mais popularesFreePik

Essas simulações permitem testar escalabilidade, melhorar a visualização de dados e reinterpretar sistemas antigos com ferramentas modernas.

Protótipos inspirados no quipu

Os pesquisadores também desenvolveram protótipos baseados nessa lógica. Entre eles, um modelo de planilha e uma ferramenta de representação visual. Embora não sejam réplicas históricas, essas aplicações mostram como a estrutura do quipu pode ser adaptada para o mundo contemporâneo.

O modelo permite adicionar informações sem reorganizar todo o sistema, mantendo uma estrutura linear e escalável. Isso o torna eficiente para grandes conjuntos de dados, como censos populacionais ou inventários.

Camadas ocultas e possível “criptografia”

Um dos aspectos mais curiosos do quipu é sua flexibilidade estrutural. Segundo os pesquisadores, a simples reorganização dos cordões em diferentes níveis pode funcionar como uma forma de proteção de dados.

Diferentemente dos sistemas modernos, em que a criptografia é aplicada separadamente, no quipu o próprio arranjo da informação pode esconder seu significado. Embora os incas provavelmente não tenham desenvolvido isso com intenção criptográfica, o sistema apresenta características que permitem esse tipo de uso.

Um sistema de informação, não um computador

Apesar das comparações, especialistas alertam que chamar o quipu de “computador” pode ser um exagero. O sistema não possui eletricidade, processadores ou código binário como os dispositivos atuais.

Ainda assim, o que os incas criaram foi um método estruturado, escalável e adaptável para armazenar e gerenciar informações. Com hierarquia, agrupamento e capacidade de síntese, o quipu se encaixa melhor como uma forma primitiva de tecnologia da informação, um sistema voltado à organização de dados, e não apenas ao cálculo.

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