
O médico Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, foi preso preventivamente por suspeita de crimes sexuais na cidade de Taquara, na Região Metropolitana do Rio Grande do Sul. Segundo a Polícia Civil, o cardiologista se aproveitava das consultas para importunar sexualmente as vítimas, em uma conduta que, conforme a investigação, ocorria há pelo menos dois anos. Segundo o delegado do caso, Valeriano Garcia Neto, as denúncias foram recebidas há pelo menos 20 dias, com depoimentos de três vítimas, entre 30 a 42 anos.
O delegado explica que os relatos entram em consenso para um a forma que o médico agia durante as consultas, nas quais ele pedia para que pacientes mulheres se despissem e aproveitava para praticar os crimes com contatos físicos inapropriados. Segundo o delegado, há ao menos um caso em que a vítima relata ter sido dopada durante o atendimento.
São investigados os possíveis crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude, estupro e estupro de vulnerável. Não há um número estimado de vítimas. Em vídeo cedido pela Polícia Civil, o médico afirma que o consultório onde atuava possui cerca de 5 mil fichamentos de pacientes. Entretanto, os documentos estão organizados por ordem alfabética, não por ano, o que pode dificultar a identificação de outros casos.
A investigação acredita que a conduta criminosa seja recorrente desde 2024. O médico trabalhava há 25 anos na cidade.
Médico pedia sigilo às vítimas
Ainda conforme a polícia, os depoimentos apontam para um padrão de conduta adotada pelo cardiologista. Além de pedir as pacientes para tirar a roupa sob o pretexto de realização de exames, o médico alegava demonstrações de carinho e apoio, ou até “orientação espiritual”, pois afirmava ser médium. Ao final das consultas, após os atos, pedia sigilo às vítimas. Em um dos casos, teria dito que “é um segredo nosso”, para uma das vítimas.
Outra vítima depôs que estranhava os pedidos. Em uma consulta, pediu para a equipe do consultório uma toalha para cobrir os seios, mas o pedido foi negado com a justificativa de que “atrapalharia os exames”. A naturalidade com que as consultas eram conduzidas geravam confusão e transtorno às vítimas, que ficavam com dúvidas e hesitavam agir, seja por medo de julgamentos ou pela falta de provas, segundo a polícia.
O médico também marcava consultas recorrentes para pacientes, mesmo que elas não tivessem certeza do motivo ou se precisavam deste tipo de acompanhamento.
O iG localizou a defesa do médico, que informou que aguarda acesso integral aos autos para poder se manifestar. O espaço segue aberto para novos posicionamentos.
O que diz o CREMERS
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul alega em nota que, caso confirmadas as denúncias, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis. Segue nota na íntegra:
“O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso. A situação é grave e deve ser apurada com rigor. Se comprovada a denúncia, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis.”
Denúncias anônimas podem ser feitas pelo WhatsApp: (51) 98443-3481 (Departamento de Polícia de Taquara/RS).
