
Há espetáculos que se limitam ao entretenimento. Outros, porém, transcendem a cena e assumem elevada função simbólica de afirmação nacional. Susi, o Musical, insere-se, com mérito, nesta segunda categoria. Trata-se de verdadeira obra de brasilidade, que emociona, encanta e, sobretudo, resgata o orgulho pelo Brasil. O espetáculo não é apenas uma montagem teatral bem-sucedida, mas um acontecimento cultural capaz de reacender a autoestima nacional, a memória afetiva e a identidade brasileira. Assisti ao musical e saí impactado. A experiência superou quaisquer expectativas iniciais. Seguramente, é uma produção de nível internacional, criativa, dotada de excelência técnica, perceptível na qualidade da encenação, no acabamento visual e na precisão dos números musicais, além de direção segura e musicalidade vibrante, capaz de capturar o espectador do início ao fim. A peça toma como ponto de partida a icônica boneca Susi, lançada pela Estrela em 1966, elevando-a à condição de símbolo cultural brasileiro. Depois da estreia do musical, Susi não é apenas mais um brinquedo, mas, sim, uma representação viva que encarna memória, identidade e pertencimento no melhor do nosso Brasil. Ao trazê-la de volta por meio do teatro, o musical realiza um expressivo gesto de afirmação nacional, um convite sincero e comovente à redescoberta do orgulho pelo Brasil. A narrativa acompanha Victor, um menino imerso no universo digital e, de certo modo, aprisionado pelo uso excessivo de telas, retrato fiel da contemporaneidade. A partir dessa premissa, desenvolve-se uma jornada lúdica, na qual o protagonista, guiado por Susi, confronta seus medos, resgata sua imaginação e reencontra sua própria essência. É nessa construção simbólica que reside a força maior da obra. Susi emerge como metáfora daquilo que há de mais valioso no Brasil, em seu povo e em suas realizações, contribuindo para o resgate de nossa autoestima. Em tempos de descrença institucional e de esgarçamento social, o espetáculo propõe um reencontro com nossas raízes, não por mero saudosismo, mas por consciência de que nossa pátria é digna de amor e orgulho. A idealizadora, roteirista e letrista Mara Carvalho, responsável pelo texto, letras e intérprete da personagem Olga, revelou-me, em conversa pessoal, que “a inspiração do musical da Susi surgiu quando assisti ao filme da Barbie, momento em que recordei da minha, da nossa Susi, e renovei meu amor pelo Brasil.” Tal motivação não apenas inspira o espetáculo, mas se cristaliza em cada cena, em cada canção e em cada escolha estética. A direção de Ulysses Cruz imprime ritmo e sofisticação, enquanto a direção musical de Thiago Gimenez sustenta, com precisão, uma trilha vibrante e coesa. O elenco constitui um dos grandes trunfos da montagem. Priscilla Alcântara entrega uma Susi carismática e apaixonante, com presença cênica segura e boa condução musical. Bruna Guerin constrói uma Bárbara de forte presença e precisão interpretativa. A própria Mara Carvalho, como Olga, confere densidade e autenticidade à narrativa. Paulo Okanha apresenta desempenho consistente e expressivo, com domínio cênico qualificado, acompanhado pelos jovens talentos Arthur Habert e, alternadamente, Nico Takaki, ao lado de outros intérpretes que sustentam com qualidade o conjunto da obra. A montagem é imperdível e encontra-se em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, tradicional espaço da cena paulistana, até 12 de abril de 2026, com sessões regulares e classificação livre, o que amplia seu alcance. Em última análise, Susi, o Musical não é apenas um espetáculo. É um verdadeiro manifesto cultural de amor pelo Brasil. Ao resgatar um ícone nacional e inseri-lo em narrativa contemporânea, a obra demonstra que o Brasil possui, em sua própria história e em seu povo, os elementos necessários para sua dignificação como nação de valor. Assistir a Susi, o Musical é mais do que um programa cultural. É um ato de reconhecimento de quem somos, do que fomos e, sobretudo, do que ainda podemos ser. Enfim, meus estimados leitores, é obrigatório assistir. Ricardo Sayeg Jornalista. Jurista Imortal da Academia Brasiliense de Direito e da Academia Paulista de Direito. Professor Livre-Docente de Direito Econômico da PUC-SP e do Insper. Doutor e Mestre em Direito Comercial pela PUC-SP. Pós-Doutor em Sociologia pela PUC-SP. Oficial da Ordem do Rio Branco. Presidente da Comissão de Direito Econômico Humanista do IASP. Presidente da Comissão Nacional Cristã de Direitos Humanos do FENASP. Comandante dos Cavaleiros Templários do Real Arco, Guardiões do Graal.
