
O programa Rolê nas Gerais deste sábado conta histórias de pessoas que cuidam umas das outras, são consideradas “fiéis escudeiras”.
TV Globo/Reprodução
As relações humanas são fundamentais para a saúde mental porque o ser humano é psicologicamente relacional. A afirmação é da especialista em neurociências pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e psicóloga Fabiana Alcântara, que estuda o comportamento humano há sete anos.
O assunto é tema do Rolê nas Gerais que vai ao ar na TV Globo em Minas na tarde deste sábado (4). O programa conta histórias de pessoas que mantém relações de confiança e se tornaram fiéis escudeiras.
Segundo a psicóloga Fabiana, as nossas emoções, a formação e fortalecimento de nossa identidade e capacidade de enfrentar a vida, se constroem e se regulam no vínculo com o outro. A psicologia, a neurociência e a psiquiatria convergem nesse ponto.
“Hoje temos descrito em literatura científica como relações saudáveis combatem a solidão, que é um fator de risco importante para a saúde mental, pois seu prolongamento está associado, por exemplo, à depressão. Em algumas fases da vida, construir laços de amizade parece mais fácil e espontâneo, como na infância, afima a psicóloga.
“Crianças parecem ter mais facilidade em iniciar relacionamentos porque estão naturalmente em contextos sociais que promovem o convívio (escolas, parques, colônias de férias, por exemplo), são emocionalmente mais abertas às experiências, ainda não enfrentaram a pressão social por comportamentos adequados e, portanto, o julgamento, e assim, possuem menos medo da rejeição”, avalia.
Intencionalidade e disposição para criar vínculos
Segundo a especialista da UFMG Fabiana Alcântara, esses conceitos também valem para a relação de humanos com bichos e plantas.
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De acordo com a especialista, iniciar e manter uma amizade ou qualquer outro vínculo afetivo na fase adulta exige mais intencionalidade, regulação emocional, redução do excesso de controle, abertura ao novo e consequentemente enfrentamento do desconforto e disposição para criar momentos e espaços para a construção e manutenção dos vínculos.
“Boas relações de amizade não são luxo emocional, são necessidade psicológica básica. Elas sustentam, regulam, protegem e dão sentido à vida, amparam nos momentos de fragilidade e ampliam a experiência de viver nos momentos de alegria”, disse.
Segundo Fabiana, esses conceitos também valem para a relação de humanos com bichos e plantas.
“Plantas e bichos não substituem as relações humanas, mas são relações enriquecedoras emocionalmente, que auxiliam no desenvolvimento de repertórios comportamentais saudáveis e na liberação de hormônio que possuem relação com o bem estar, por exemplo”, conclui.
Especialista em neurociências pela UFMG, a psicóloga Fabiana Alcântara estuda há sete anos o comportamento humano.
Arquivo Pessoal
A pedido do g1 Minas, Fabiana Alcântara elaborou seis passos para construir e manter amizades saudáveis na vida adulta:
1 – Aceite a mudança da dinâmica: A amizade adulta não é mais presença constante, é continuidade emocional. Menos contato não significa menos afeto. Respeitar fases evita frustrações silenciosas.
2 – Troque intensidade por constância: Não espere encontros mirabolantes. Seja realista e lembre-se de que o tempo da vida adulta não é o mesmo da sua infância. Um café rápido, um áudio curto, um meme enviado com carinho mantêm o vínculo vivo.
3 – Seja quem puxa o fio: “Vamos tomar um café depois?”; “Essa música me lembrou você!”; “Quer caminhar 10 minutos?” Faça um convite simples. Demonstrar interesse é um modo de cultivo.
4 – Não idealize reciprocidade perfeita: Às vezes você investe mais. Em outras fases, o outro investe. Amizade saudável é movimento mútuo.
5 – Estabeleça limites: As amizades se perdem mais por silêncios acumulados do que por brigas. Fale cedo, com cuidado e assertividade. Relações saudáveis dependem de conversas difíceis.
6 – Continue cultivando novas amizades: A vida adulta não fecha portas. Cursos, trabalho, hobbies e causas aproximam pessoas compatíveis.
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